Foto: Thiago Soares/Folha Vitória
*Artigo escrito por Christiane Menezes, gerente de Inteligência e Negócios da NOVA ES
Por anos, estados, regiões e países concentraram esforços em oferecer incentivos fiscais, terrenos subsidiados ou custos operacionais reduzidos para atrair empresas. Esses fatores seguem relevantes, mas já não são suficientes para sustentar competitividade em um ambiente internacional cada vez mais seletivo.
Os investidores atuais buscam mais do que vantagens pontuais. Procuram previsibilidade, governança, capacidade de execução e, sobretudo, projetos bem estruturados.
Em um cenário marcado pela reorganização das cadeias globais de produção, pela transição energética, pela transformação digital e por tensões geopolíticas, o capital tornou-se mais criterioso na definição de seus destinos.
Nesse contexto, esperar para ser descoberto deixou de ser uma estratégia viável. Passa a ser necessário apresentar projetos consistentes, alinhados às tendências globais e capazes de demonstrar viabilidade econômica, impacto social e segurança institucional.
Os territórios mais competitivos são aqueles que conseguem transformar informação em estratégia.
Isso implica conhecer seus ativos econômicos, mapear oportunidades, identificar gargalos, organizar dados e estruturar uma narrativa coerente sobre suas vantagens competitivas.
Essa abordagem tem levado agências de desenvolvimento e atração de investimentos a assumirem um papel cada vez mais estratégico, atuando como articuladoras entre governos, setor produtivo, universidades, investidores e organismos internacionais.
A experiência atual indica que a qualidade da estruturação dos projetos influencia diretamente a decisão de investimento.
Investidores buscam clareza sobre riscos, disponibilidade de mão de obra, acesso a fornecedores, infraestrutura, sustentabilidade ambiental e potencial de crescimento.
Quanto mais consistentes e verificáveis essas informações, menor a percepção de risco e maior a atratividade do território.
No Espírito Santo, esse movimento vem ganhando corpo com o fortalecimento da capacidade institucional de estruturação de oportunidades.
Recentemente, o Estado sediou uma capacitação conduzida pelo especialista internacional Javier Sánchez Casademunt, reunindo representantes do setor público e produtivo com foco na qualificação de projetos aderentes às demandas do mercado global.
Como resultado, foram estruturados 13 projetos estratégicos em áreas como sustentabilidade, infraestrutura, inovação e diversificação produtiva. É uma iniciativa que consolida um portfólio mais maduro e alinhado às tendências que hoje orientam os fluxos internacionais de capital.
O futuro da atração de investimentos tende a ser menos determinado por incentivos isolados e mais pela capacidade dos territórios de construir confiança, organizar informações e apresentar oportunidades concretas ao mercado.
Em um ambiente com múltiplas opções de alocação de capital, terão vantagem aqueles que combinarem visão estratégica, capacidade institucional e projetos prontos para execução.
A criação da NOVA ES reforça essa mudança de abordagem. Desde o início de suas atividades, a instituição já mapeou mais de R$ 30 bilhões em oportunidades de investimento no Estado.
Desse total, R$ 6,1 bilhões já estão confirmados, envolvendo 12 empresas em setores como automotivo, energia, siderurgia, alimentos e bebidas, farmacêutico, químico, logística e distribuição.
No fim, a questão que permanece para governos e instituições não é se há interesse em investir, mas se os territórios estão preparados para apresentar os projetos que o investidor global procura e nem sempre encontra.
Fonte: Folha Vitoria