Foto: Thiago Soares/Folha Vitória
A Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) manifestou preocupação com o tarifaço de 25% confirmada pelo governo dos Estados Unidos nesta quarta-feira (15) sobre produtos brasileiros. O Espírito Santo está entre os estados mais expostos do país ao novo ciclo tarifário.
Em nota divulgada na noite desta quinta-feira (16) pelo presidente da entidade Paulo Baraona, a Findes ressalta que os EUA são o principal parceiro comercial capixaba. Em 2025, os Estados Unidos foram destino de 27% das exportações do Espírito Santo, o equivalente a US$ 2,8 bilhões. A tarifa adicional de 25% está prevista para entrar em vigor em 22 de julho.
Segundo dados da Comex Stat compilados pelo Observatório Findes, a medida atingiria quase 500 produtos comercializados pelo Estado, considerando a lista de exceções já divulgada pelo governo americano.
Entre os produtos com maior exposição ao impacto estão rochas naturais e minério de ferro. Esses itens estavam isentos nas últimas rodadas de taxação impostas pelos EUA.
Em 2025, as exportações desses produtos somaram mais de US$ 240 milhões. O valor representa 2,3% da pauta exportadora capixaba e 8,5% das vendas do estado para o mercado americano.
Segundo Paulo Baraona, o impacto das taxações anteriores já se reflete nos números do comércio bilateral. No primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras para os EUA recuaram 13%, o equivalente a US$ 2,6 bilhões. A queda foi influenciada pela redução de 8,7% nas vendas de bens industriais.
Apesar do recuo, os EUA seguiram como principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira no período.
No Espírito Santo, a retração foi mais intensa. Entre janeiro e junho de 2026, o Estado exportou quase US$ 1,4 bilhão para os Estados Unidos, o que representa 27,5% das exportações capixabas totais. O resultado corresponde a uma queda de 17,2% em relação ao mesmo período de 2025.
Mesmo com a redução, o Estado ocupa o terceiro lugar no ranking nacional de percentual de exportações destinadas aos EUA e o quarto lugar em valor exportado ao país no primeiro semestre do ano.
Diálogo e diversificação
Em alinhamento com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Findes defende que a solução deve passar pelo diálogo e pela negociação entre os dois países. A entidade argumenta que Brasil e Estados Unidos possuem cadeias produtivas integradas e que diversos produtos brasileiros funcionam como insumos para a indústria americana.
“O aumento das tarifas compromete uma relação comercial bilateral construída ao longo de décadas”, destaca Baraona na nota da Findes, em alinhamento com a CNI.
A confederação mantém contato permanente com a Amcham Brasil e a U.S. Chamber of Commerce para dialogar com empresários americanos impactados pela medida. A Findes informou ainda que seguirá trabalhando para diversificar a pauta exportadora capixaba.
O objetivo é ampliar a presença do Estado nos mais de 170 mercados com os quais já mantém relações comerciais, reduzindo a dependência de um único parceiro e protegendo a competitividade da indústria local.
Fonte: Folha Vitoria