A Copa do Mundo mexe com emoções profundas. O coração acelera no gol, dispara nos pênaltis e parece parar nos minutos finais de uma partida decisiva. E a ciência mostra que isso não é apenas uma sensação.
Eventos esportivos de grande impacto emocional realmente podem aumentar o risco cardiovascular em pessoas predispostas.
O que acontece com o organismo durante jogos decisivos?
Durante jogos importantes, o organismo libera grandes quantidades de adrenalina e outros hormônios do estresse. Isso eleva a frequência cardíaca, aumenta a pressão arterial e faz o coração trabalhar mais intensamente.
Em pessoas saudáveis, essa resposta costuma ser bem tolerada. Mas, em quem já possui hipertensão, doença coronariana, arritmias, insuficiência cardíaca ou múltiplos fatores de risco, o estresse emocional agudo pode funcionar como um gatilho para infarto, descompensações cardíacas e arritmias.
Um estudo clássico realizado durante a Copa do Mundo da Alemanha, em 2006, mostrou aumento significativo das emergências cardiovasculares nos dias de jogos da seleção alemã, principalmente nas partidas mais tensas. O risco foi ainda maior entre pessoas com doença cardíaca prévia.
Álcool, sono e alimentação também entram em campo
Mas o problema não está apenas na emoção do jogo. Durante a Copa, é comum haver excesso de álcool, noites mal dormidas, alimentação rica em sal e gordura, tabagismo, desidratação e até interrupção de medicações.
Tudo isso cria um cenário de sobrecarga cardiovascular.
Existe inclusive uma condição conhecida como “holiday heart syndrome”, em que excessos — especialmente álcool e privação de sono — aumentam o risco de arritmias, como a fibrilação atrial.
A melhor torcida ainda é a prevenção
Isso significa que devemos assistir aos jogos com medo? Claro que não.
A emoção do esporte faz parte da vida, cria conexão, memória afetiva e prazer. O ponto é lembrar que paixão e cuidado precisam caminhar juntos.
E talvez essa seja uma boa oportunidade para uma reflexão importante: muitas pessoas só lembram do coração quando ele acelera durante um jogo decisivo.
Mas, quando o coração está em campo, a prevenção é a maior torcida.
Folha Vitória