*Artigo escrito por Eric Alves Azeredo, professor, executivo, advogado. CEO da AZRD e líder do Comitê Qualificado de Conteúdo de Empreendedorismo e Gestão do Ibef-ES.
O empreendedorismo esportivo ganhou um impulso gigantesco ao, por meio de uma gestão eficiente, transformar a paixão em negócios milionários. Segundo o Relatório PIB do Esporte Brasileiro, elaborado pelo Instituto Sou do Esporte, principal plataforma criada pela jornalista Fabiana Bentes com o intuito de qualificar o ambiente de negócios do esporte, a indústria esportiva movimentou, em 2023, R$ 183,4 bilhões. Isso representou 1,69% do Produto Interno Bruto (PIB), superando o setor cultural que, no mesmo período, respondeu por 1,55%. Conforme ainda o mesmo relatório, foram gerados cerca de 3,3 milhões de empregos, entre diretos e indiretos, o que impactou fortemente tanto o aspecto econômico quanto o social.
Nos últimos anos, o setor esportivo brasileiro foi o que apresentou o maior número de oportunidades quando o assunto é empreender. Com a chegada das startups tecnológicas dedicadas às sport techs, o mercado esportivo passou a viver um turbilhão de inovações. O setor esportivo tem atraído uma demanda considerável, e isso se deve, em grande parte, à aplicação de tecnologias inovadoras na criação de soluções, como plataformas que gerenciam as carreiras dos atletas e serviços especializados na organização de diferentes tipos de eventos de competição.
Ao inovar e criar modelos de negócios sustentáveis, o sucesso no esporte é claro, como demonstram os estudos sobre Associative and Business Models: Reflections on the Management of Football Clubs in Brazil. O estudo publicado em 2022, na revista Research, Society and Development, investiga a transição e os modelos de gestão no futebol brasileiro, fazendo um paralelo entre o tradicional sistema associativo e o empresarial (SAF).
É imprescindível que a gestão esportiva, especialmente em clubes e organizações voltadas para o alto rendimento, seja sustentada por princípios de governança corporativa. Para conseguir fundos, tanto públicos quanto privados, destinados à execução de projetos esportivos, é fundamental que se busque continuamente o apoio dos investidores.
Mas isso só se torna viável quando se alia a transparência da gestão financeira ao planejamento estratégico. Esses são fatores apontados por diferentes estudos empíricos como primordiais no ambiente cada vez mais competitivo. As leis de incentivo ao esporte conseguiram fomentar o aparecimento de novos modelos de gestão e iniciativas empreendedoras.
Em síntese, no contexto do empreendedorismo e da gestão no esporte brasileiro, independentemente da modalidade, é essencial reconhecer que o sucesso não se sustenta sem a integração eficaz das práticas administrativas. Para que o ecossistema esportivo seja competitivo, inovador e socialmente inclusivo, são necessárias políticas públicas claras, aliadas à participação ativa do capital privado.
Este texto expressa a opinião do autor e não traduz, necessariamente, a opinião do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo.
Folha Vitoria