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O que muda no ES após União Europeia barrar carne brasileira? Especialistas explicam

Estado tem pouca exposição ao mercado europeu, mas especialistas veem reflexos indiretos na economia e nos preços da carne

Por Redação em 07/06/2026 às 05:00:24
Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

A decisão da União Europeia (UE) de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar determinados animais e produtos de origem animal a partir de setembro deste ano acendeu um alerta no agronegócio nacional.

A medida está relacionada a novas exigências sanitárias sobre o uso de antimicrobianos na produção animal e pode atingir produtos como carne bovina, suína, de aves, ovos, leite, mel e itens da aquicultura.

No Espírito Santo, segundo especialistas ouvidos pelo Folha Vitória, o impacto direto tende a ser limitado, mas a medida pode gerar um efeito positivo para os consumidores: a queda do preço da carne.

Dados da Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) mostram que a União Europeia respondeu por 6,9% do valor das exportações capixabas de carne bovina em 2025. No ano anterior, a participação foi de 6,4%.

“O mercado de exportação de carne capixaba para a Europa não é um mercado muito relevante”, observou o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli.

Segundo a Seag, a participação da União Europeia aparece maior nos primeiros meses de 2026, chegando a cerca de 30% das exportações capixabas de carne bovina entre janeiro e março. No entanto, o próprio governo estadual destaca que o percentual precisa ser analisado com cautela, já que o volume total exportado neste ano é muito menor do que o registrado em períodos anteriores.

De acordo com Bergoli, fatores como a paralisação dos abates no frigorífico Frisa, no Espírito Santo, e outras mudanças no mercado reduziram significativamente as exportações capixabas de carne bovina em 2026.

“É 30% de uma coisa que é muito pequena, porque esse ano praticamente não exportou. As exportações de carne do Espírito Santo estão muito aquém do que vinha sendo feito no passado e já não era um mercado relevante para a Europa”, explicou.

Apesar da baixa dependência do mercado europeu, o secretário considera importante que o governo federal atue rapidamente para tentar reverter a situação. Segundo ele, manter o acesso ao bloco europeu é estratégico para o setor pecuário brasileiro.

“Nós consideramos de extrema relevância que o Ministério da Agricultura entre em negociações urgentes com a União Europeia para que se restabeleça esse mercado. Independentemente de o Espírito Santo estar exportando pouca carne bovina neste momento, é um mercado que precisa estar à disposição da carne bovina capixaba”, destacou.

Para o economista Ângelo José Dambrosio, mestre em Gestão Econômica pela Fundação Getulio Vargas (FGV), os impactos diretos sobre o Espírito Santo devem se concentrar na agropecuária. No entanto, ele avalia que outros segmentos ligados à cadeia produtiva também podem sentir os reflexos da medida ao longo do tempo.

“A balança comercial seria afetada obviamente, e os reflexos na pequena produção do Espírito Santo serão sentidos de forma gradual se não houver reversão”, afirmou.

Dambrosio também alerta para possíveis consequências em outros mercados internacionais. Na avaliação dele, a decisão da União Europeia pode gerar repercussões que vão além do bloco europeu, dependendo da evolução das relações comerciais e diplomáticas do Brasil.

“O Brasil está na berlinda atualmente, por diversos fatores, principalmente diplomáticos em sua política externa. Claro que pode respingar para outros mercados”, disse.

Carne pode ficar mais barata?

Uma das dúvidas levantadas após o anúncio da União Europeia é se a medida pode influenciar o preço da carne para os consumidores brasileiros. Tanto o secretário da Agricultura quanto o economista avaliam que existe a possibilidade de redução nos preços caso parte da produção que seria exportada permaneça no mercado interno.

Isso ocorreria porque uma menor quantidade de exportações tende a aumentar a oferta de carne disponível para os consumidores brasileiros, pressionando os preços para baixo.

“A perdurar essa situação, a gente vai ter uma oferta maior no Brasil como um todo e isso poderá inclusive reduzir o preço da carne. O que se espera é um preço justo, tanto para os consumidores quanto para os pecuaristas”, afirmou Bergoli.

O economista segue a mesma linha de raciocínio e diz que o efeito não seria imediato, mas pode ocorrer caso o embargo seja mantido por um período mais longo.

“Com a redução da exportação, a oferta no mercado aumenta, podendo haver redução do preço pela lei da oferta e da procura”, explicou Dambrosio.

Apesar das preocupações do setor produtivo, o secretário da Agricultura garante que não há risco de desabastecimento no Espírito Santo nem no restante do país.

“Os consumidores podem ficar tranquilos com relação ao abastecimento. Muito pelo contrário, não exportando, vai ter uma oferta maior no mercado interno”, concluiu.

Entenda a decisão da União Europeia

A União Europeia retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal para o bloco. A medida passa a valer a partir de 3 de setembro e pode interromper as vendas de itens como carne bovina, carne de frango, ovos, mel, peixes, produtos da aquicultura e animais vivos destinados à alimentação.

Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não apresentou informações suficientes para comprovar o cumprimento das exigências sanitárias relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal.

De acordo com as autoridades europeias, a restrição está ligada às regras do bloco para controle do uso de antimicrobianos na pecuária, adotadas para combater a resistência de bactérias a medicamentos.

A Comissão Europeia informou que mantém diálogo com o governo brasileiro e que o país poderá voltar a exportar normalmente caso consiga demonstrar o atendimento às exigências sanitárias estabelecidas pela União Europeia.

Fonte: Folha Vitoria

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