Carros importados: pátios mais cheios e recorde de movimentação no horizonte dos portos capixabas. Foto: Thiago Soares/Folha Vitória
Os portos do Espírito Santo podem registrar uma nova disparada na importação de veículos nas próximas semanas. O motivo é tributário: a partir de 1º de julho, o Imposto de Importação sobre carros eletrificados sobe para o teto de 35%. Ou seja, encerrando o cronograma gradual de reoneração do governo federal. Hoje, as alíquotas estão em 25% para elétricos puros (BEV), 28% para híbridos plug-in (PHEV) e 30% para híbridos convencionais (HEV). Resultado: importadores aceleram embarques e consumidores antecipam compras para fugir do aumento de preços.
E faz sentido correr. Entre janeiro e abril deste ano, os portos capixabas já movimentaram US$ 1,6 bilhão (R$ 8,08 bilhões) em veículos importados. Do mesmo modo, um dado que mostra a força dessa transformação: 86,3% do valor veio justamente de híbridos e elétricos. Os híbridos responderam por 61,8% das importações, enquanto os elétricos puros representaram 24,5%. Os modelos exclusivamente a combustão ficaram restritos a 13,7% do total. Os portos de destaque são Portocel e os terminais da Vports.
O número ajuda a entender por que o Espírito Santo se transformou em uma peça-chave da nova geografia automotiva brasileira. O Estado não é mais apenas um corredor logístico de carros importados. Virou a principal porta de entrada da eletrificação no país. Boa parte dos veículos chineses que ganham mercado no Brasil passa pelos terminais capixabas antes de seguir para concessionárias de diferentes regiões.
O dado mais simbólico talvez seja outro. Quem lidera a transição não é o elétrico puro, mas o híbrido, responsável por quase dois terços do valor importado. A explicação é prática. Em um país onde a infraestrutura de recarga ainda cresce de forma desigual, o híbrido oferece autonomia e reduz a insegurança do consumidor.
O impacto vai além do pátio portuário: movimenta armazenagem, transporte, concessionárias e toda a cadeia logística associada ao setor automotivo. O Espírito Santo reúne ativos difíceis de replicar. Tradição na importação de veículos, eficiência logística, posição geográfica estratégica e, agora, uma crescente conexão com a mobilidade elétrica.
E ainda tem a futura fábrica da GWM em Aracruz. A unidade faz o Estado se posicionar não apenas como porta de entrada, mas como um potencial polo da nova indústria automotiva brasileira.
O ponto mais importante aqui é simples. O aumento do imposto pode encarecer os carros eletrificados no país, mas antes disso tende a turbinar ainda mais os portos capixabas. Justamente no momento em que eles já vivem uma explosão de demanda.
Fonte: Folha Vitoria