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Servidores no ES são investigados por uso de canetas ilegais em postos de saúde

Segundo a Polícia Civil, investigados revendiam medicamentos contrabandeados e faziam aplicações em unidades de saúde

Por Redação em 29/05/2026 às 05:00:09
O superintendente de Polícia Especializada (SPE), delegado Rafael Correa, falou sobre o provável envolvimento de servidores públicos no esquema de venda ilegal de canetas emagrecedoras. Foto: Sesp/Div

O superintendente de Polícia Especializada (SPE), delegado Rafael Correa, falou sobre o provável envolvimento de servidores públicos no esquema de venda ilegal de canetas emagrecedoras. Foto: Sesp/Div

Servidores públicos da área da saúde estão entre os investigados por participação em um esquema de venda ilegal de canetas emagrecedoras e outros medicamentos na Grande Vitória. Segundo a Polícia Civil, os suspeitos compravam produtos ilegais e aplicavam os medicamentos até mesmo em postos de saúde, dando aparência de legalidade ao esquema criminoso.

A informação foi divulgada nesta quinta-feira (28) pelo superintendente de Polícia Especializada (SPE), delegado Rafael Correa, durante entrevista sobre a Operação Efeito Colateral. A ação cumpriu sete mandados de busca e apreensão e prendeu seis pessoas, entre eles um homem apontado como chefe da organização criminosa.

A investigação começou há cerca de seis meses e apura o contrabando, armazenamento e comercialização de medicamentos sem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“Temos a participação de servidores públicos da área da saúde, que trabalham em postos de saúde, que adquiriram esse medicamento de forma ilegal com esse fornecedor, faziam a revenda obtendo lucro e utilizavam, inclusive, os postos de saúde nos quais essas pessoas trabalham para poder realizar a aplicação, dando uma sensação de legalidade dentro dessa transação comercial ilegal”, afirmou o delegado.

De acordo com a polícia, o grupo atuava principalmente pelas redes sociais e aplicativos de mensagens. Os investigados anunciavam os produtos no Instagram, faziam negociações pelo WhatsApp e organizavam a entrega dos medicamentos aos clientes.

Grupo tinha divisão de funções

“É um caso realmente muito grave, é uma organização criminosa um pouco diferente das que estamos acostumados a ver. São pessoas de classe média, pessoas que têm seus empregos e, como eu disse, alguns servidores públicos”, declarou o superintendente.

A polícia informou que os investigados moram em municípios como Vila Velha e Serra, mas ainda não identificou em quais unidades de saúde os servidores atuavam. A investigação pode avançar para novas fases nos próximos dias.

Durante a operação, os policiais apreenderam canetas emagrecedoras de marcas sem autorização para venda no Brasil, além de medicamentos vencidos e substâncias cuja eficácia e segurança ainda não foram aprovadas pela Anvisa. A suspeita é de que parte dos produtos tenha sido desviada de farmácias públicas.

“Encontramos alguns medicamentos que nos levam a acreditar que foram subtraídos de farmácias públicas. Alguns desses medicamentos, inclusive, estão vencidos. Então, temos mais uma situação de gravidade para a saúde pública”, disse Rafael Correa.

Segundo a Polícia Civil, mais de 100 ampolas de medicamentos já foram contabilizadas entre os materiais apreendidos. A corporação também analisa se outras pessoas conduzidas à delegacia serão autuadas em flagrante.

Fonte: Folha Vitória

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