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Quando correr vira uma corrida para o banheiro: por que atletas têm diarreia durante provas?

ntenda por que corredores podem ter diarreia durante treinos e provas e como alimentação, hidratação e estratégia nutricional influenciam o intestino e a performance.

Por Redação em 08/05/2026 às 05:00:11
Foto: iStock Getty Images

Foto: iStock Getty Images

Dor abdominal, urgência para evacuar, náusea e desconforto intestinal durante treinos e provas são sintomas mais comuns do que muita gente imagina entre corredores. O problema é tão frequente que ganhou até um nome na literatura esportiva: runner’s diarrhea, ou “diarreia do corredor”.

E não, isso não acontece apenas porque alguém “comeu algo errado”. Durante exercícios intensos, principalmente em corridas de longa duração, o organismo passa por alterações fisiológicas importantes que afetam diretamente o intestino.

O que acontece no organismo?

Enquanto o corpo corre, o fluxo sanguíneo é redirecionado prioritariamente para músculos, coração e pulmões. Como consequência, o trato gastrointestinal recebe menos sangue e menos oxigênio temporariamente. Essa redução da perfusão intestinal pode comprometer digestão, absorção e integridade intestinal, favorecendo sintomas como cólicas, estufamento, refluxo e diarreia.

Além disso, o impacto repetitivo da corrida aumenta a motilidade intestinal, acelerando o trânsito gastrointestinal. Quanto mais longa e intensa a atividade, maior tende a ser o estresse gastrointestinal.

A alimentação pode piorar muito o quadro

Em muitos casos, existe também uma falha importante na estratégia nutricional. Um erro muito comum entre corredores amadores é consumir grandes quantidades de carboidrato próximo ou durante a prova sem adaptação prévia.

Géis, isotônicos e suplementos esportivos podem piorar os sintomas quando utilizados sem planejamento adequado. O excesso de carboidrato durante o exercício pode ultrapassar a capacidade de absorção intestinal, especialmente quando a estratégia utiliza apenas um tipo de açúcar.

Existe uma questão técnica importante envolvendo os transportadores intestinais. A glicose e a frutose utilizam vias diferentes de absorção. A glicose é absorvida principalmente pelo transportador SGLT1, enquanto a frutose depende do GLUT5.

Quando há excesso de glicose ou uma proporção inadequada entre os carboidratos, esses transportadores podem saturar. O carboidrato não absorvido permanece no intestino e gera um efeito osmótico, puxando água para dentro do trato gastrointestinal. O resultado pode ser distensão abdominal, desconforto e diarreia.

Por isso, muitos suplementos modernos utilizam combinações específicas de glicose e frutose, sendo a proporção 2:1 uma das mais utilizadas. Essa estratégia aumenta a capacidade total de absorção intestinal porque utiliza múltiplos transportadores simultaneamente, reduzindo o risco de desconforto gastrointestinal durante exercícios prolongados.

O intestino também precisa ser treinado

Outro erro muito comum é testar suplementos pela primeira vez no dia da prova. Aquilo que funciona para um atleta pode não funcionar para outro.

O intestino é altamente individual e também pode ser treinado. Assim como músculos e sistema cardiovascular se adaptam ao exercício, o trato gastrointestinal pode desenvolver maior tolerância à ingestão de carboidratos durante o esforço quando essa estratégia é feita de forma gradual e repetida nos treinos.

Por isso, treinar a estratégia nutricional é tão importante quanto treinar o pace.

Onde entra a tecnologia hidrogel?

Nos últimos anos, ganhou popularidade entre atletas de endurance a chamada tecnologia hidrogel, presente em alguns géis de carboidrato.

Nesses produtos, o carboidrato fica envolvido em uma espécie de matriz gelatinosa que ajuda a reduzir o contato direto com o estômago até chegar ao intestino, melhorando a tolerância gastrointestinal em algumas pessoas.

Isso não significa ausência total de sintomas, mas alguns atletas relatam menos desconforto durante exercícios prolongados. Ainda assim, não existe solução mágica. Mesmo suplementos considerados mais modernos precisam ser testados individualmente durante os treinos.

Desidratação também aumenta o risco

Outro fator importante é a hidratação inadequada. Quanto maior o estado de desidratação, maior tende a ser o estresse fisiológico do organismo e pior pode ficar a função intestinal durante a atividade física.

Além disso, altas temperaturas e provas longas aumentam ainda mais o risco de sintomas gastrointestinais.

Estratégia nutricional também é performance

Evitar a chamada “diarreia do corredor” envolve muito mais do que escolher um bom gel. É necessário ajustar quantidade e tipo de carboidrato, horários de ingestão, hidratação e tolerância individual.

Em atletas que apresentam sintomas frequentes, o acompanhamento com nutricionista esportivo faz diferença não apenas na performance, mas também no conforto e na saúde intestinal.

Fonte: Folha Vitória

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