Com operação no Espírito Santo, NetZero anuncia nova tecnologia para acelerar a produção de biochar
O Espírito Santo começou a discutir, de forma mais concreta, o uso do biochar em larga escala como alternativa para recuperar áreas degradadas e avançar na restauração florestal. O tema foi debatido em um encontro entre a green tech franco-brasileira NetZero e o governador Renato Casagrande, realizado nesta terça-feira (17), em Brejetuba. A ideia é ampliar o uso do biochar – um material rico em carbono – em solos impactados por atividades como mineração e uso intensivo.
A proposta vai além da recuperação ambiental. Ela combina reaproveitamento de resíduos, regeneração do solo e ainda a geração de créditos de carbono, alinhando sustentabilidade com desenvolvimento econômico.
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Esse movimento não vem do nada. Nos últimos 15 anos, o biochar tem ganhado espaço como uma das tecnologias mais estudadas para recuperação de solos degradados, justamente por atuar em várias frentes ao mesmo tempo.
Estudos realizados no Brasil e em outros países mostram que a aplicação do biochar pode trazer ganhos importantes: melhora da estrutura do solo, aumento da disponibilidade de nutrientes, correção do pH e estímulo à atividade microbiana. Em alguns casos, também há redução na concentração de metais pesados.
Na prática, isso significa acelerar a recuperação de áreas degradadas e dar mais eficiência aos processos de restauração florestal.
“Não há mais dúvida. Os resultados mostram que o biochar não é só uma solução agrícola ou climática, mas uma ferramenta robusta para recuperação ambiental em larga escala”, afirma Pedro de Figueiredo, CEO da NetZero no Brasil.
Segundo ele, além de regenerar o solo, o material também contribui para a remoção de carbono da atmosfera de forma duradoura.
O governador Renato Casagrande destacou que o estado vem buscando soluções que aliem sustentabilidade e geração de valor.
“O Espírito Santo está na vanguarda quando o assunto é gestão sustentável. Temos compromisso com a recuperação de áreas impactadas e com a descarbonização das cadeias produtivas”, afirmou.
O encontro aconteceu em Brejetuba, onde a NetZero mantém, desde 2024, uma fábrica de biochar a partir de resíduos da cafeicultura. A iniciativa reforça a parceria entre setor público e iniciativa privada na busca por soluções com impacto ambiental, econômico e climático.
Apesar do potencial, a aplicação em larga escala ainda depende de um ponto-chave: oferta de biochar padronizado e produzido com controle industrial.
Hoje, a NetZero aposta justamente nesse modelo, transformando resíduos agrícolas em biochar certificado, com produção em volume e qualidade constante. A lógica também fortalece a economia circular, ao dar destino a resíduos e transformá-los em insumos para regenerar o solo.
O biochar é produzido a partir da pirólise – um processo que aquece resíduos agrícolas em altas temperaturas, sem presença de oxigênio. Isso estabiliza o carbono capturado pelas plantas e permite que ele fique armazenado no solo por séculos. Além disso, o material tem uma estrutura que ajuda a reter água, melhora a disponibilidade de nutrientes e reativa a vida microbiana do solo.
Em áreas degradadas, os efeitos vão além: o biochar ajuda a corrigir a acidez, reduzir a compactação do solo e até imobilizar metais pesados, facilitando o retorno da vegetação e reduzindo a necessidade de insumos como fertilizantes e irrigação.
Fundada em 2021, a NetZero tem como missão levar o uso do biochar para a escala global. A empresa atua hoje com uma fábrica-piloto em Camarões e unidades no Brasil, incluindo Brejetuba (ES), todas voltadas à produção a partir da biomassa do café. Também há uma nova planta em construção em Minas Gerais, utilizando resíduos da cana-de-açúcar.
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Fonte: Folha Vitoria