Foto: Reprodução/Eli Lilly
Em fevereiro, a farmacêutica Eli Lilly do Brasil anunciou novas dosagens deMounjaro(tirzepatida) para o mercado brasileiro. Segundo a fabricante do medicamento, as novas concentrações de 12,5 mg e 15 mg chegariam às farmácias a partir da segunda quinzena de março.
Até o momento, estão disponíveis as doses de2,5 mg, 5 mg, 7,5 mg e 10 mg do medicamento, indicado para o tratamento dediabetes tipo 2, obesidade e sobrepeso.
Mas o que isso significa na prática? Segundo a endocrinologista Iara do Vale, a chegada das doses de 12,5 mg e 15 mg amplia as possibilidades de ajuste do tratamento.
O medicamento costuma ser iniciado em doses menores e aumentado gradualmente conforme a resposta do paciente. As doses mais altas podem oferecer maior controle da glicemia e potencializar a perda de peso em pessoas que precisam de intensificação do tratamento.
Iara do Vale, endocrinologista da Unimed Sul Capixaba
Quando a dose mais elevada é indicada?
A tirzepatida é o princípio ativo do medicamento Mounjaro e atua como um agonista duplo dos hormônios GIP e GLP-1, que participam da regulação da glicose e do controle do apetite. Ou seja, elaimita substâncias naturais do corpo para produzir os efeitos necessários.
“Na prática, o medicamento melhora a liberação de insulina, reduz a produção de glicose pelo fígado e aumenta a sensação de saciedade. Por isso tem apresentado bons resultados tanto no controle do diabetes tipo 2 quanto na perda de peso em pacientes com obesidade”, explica a endocrinologista.
Com isso, a indicação de dosagens mais altas geralmente ocorre quando o paciente ainda não atingiu as metas de controle da glicose ou de perda de peso com doses menores, mas está tolerando bem o medicamento.
“O aumento da dose é decidido de forma individualizada pelo endocrinologista. Pacientes com obesidade mais importante ou diabetes de difícil controle podem se beneficiar dessas doses mais altas”, complementa a especialista.
Doses mais altas representam um risco maior?
Ao mesmo tempo que a chegada das novas doses representa a ampliação da linha de tratamento, também traz preocupações quanto ao uso indiscriminado deste tipo de medicamentos.
Segundo levantamento da Conexa Saúde com base em dados do Google, o Brasil ocupa a 2ª posição no ranking mundial de buscas por Mounjaro e medicamentos relacionados.
Já uma pesquisas qualitativas da NielsenIQ aponta que 25% e 30% dos lares brasileiros têm pelo menos uma pessoa que já usou canetas emagrecedoras (Ozempic, Wegovy e Mounjaro, por exemplo). Isso inclui as versões oficiais dos medicamentos, que exigem prescrição médica, ou genéricas como as “canetas do Paraguai”.
Segundo a endocrinologista Iara do Vale, o problema não está no medicamento em si, mas sim no uso sem prescrição ou orientação médica.
O uso sem orientação médica pode trazer riscos e isso se torna ainda mais preocupante com doses mais elevadas. O medicamento precisa de avaliação clínica, definição de dose adequada e acompanhamento para monitorar efeitos e resultados do tratamento.
Iara do Vale, endocrinologista da Unimed Sul Capixaba
Efeitos colaterais e sinais de alerta
Com mais pessoas tendo acesso ao Mounjaro, seja nas doses menores ou nas mais elevadas, é essencial conhecer os efeitos colaterais. Os mais comuns são náuseas, vômitos, diarreia, constipação e redução do apetite, principalmente no início do tratamento ou quando a dose é aumentada.
Entretanto, o paciente deve procurar assistência médica se apresentar:
Qualquer sintoma intenso e prolongado.
Fonte: Folha Vitória