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Doses mais altas de Mounjaro: entenda o que muda e para quem são indicadas

Doses de 12,5 mg e 15 mg chegam às farmácias brasileiras a partir do dia 15. Especialista explica benefícios, indicações e riscos

Por Redação em 12/03/2026 às 05:00:13
Foto: Reprodução/Eli Lilly

Foto: Reprodução/Eli Lilly

Em fevereiro, a farmacêutica Eli Lilly do Brasil anunciou novas dosagens deMounjaro(tirzepatida) para o mercado brasileiro. Segundo a fabricante do medicamento, as novas concentrações de 12,5 mg e 15 mg chegariam às farmácias a partir da segunda quinzena de março.

Até o momento, estão disponíveis as doses de2,5 mg, 5 mg, 7,5 mg e 10 mg do medicamento, indicado para o tratamento dediabetes tipo 2, obesidade e sobrepeso.

Mas o que isso significa na prática? Segundo a endocrinologista Iara do Vale, a chegada das doses de 12,5 mg e 15 mg amplia as possibilidades de ajuste do tratamento.

O medicamento costuma ser iniciado em doses menores e aumentado gradualmente conforme a resposta do paciente. As doses mais altas podem oferecer maior controle da glicemia e potencializar a perda de peso em pessoas que precisam de intensificação do tratamento.

Iara do Vale, endocrinologista da Unimed Sul Capixaba

Quando a dose mais elevada é indicada?

A tirzepatida é o princípio ativo do medicamento Mounjaro e atua como um agonista duplo dos hormônios GIP e GLP-1, que participam da regulação da glicose e do controle do apetite. Ou seja, elaimita substâncias naturais do corpo para produzir os efeitos necessários.

“Na prática, o medicamento melhora a liberação de insulina, reduz a produção de glicose pelo fígado e aumenta a sensação de saciedade. Por isso tem apresentado bons resultados tanto no controle do diabetes tipo 2 quanto na perda de peso em pacientes com obesidade”, explica a endocrinologista.

Com isso, a indicação de dosagens mais altas geralmente ocorre quando o paciente ainda não atingiu as metas de controle da glicose ou de perda de peso com doses menores, mas está tolerando bem o medicamento.

“O aumento da dose é decidido de forma individualizada pelo endocrinologista. Pacientes com obesidade mais importante ou diabetes de difícil controle podem se beneficiar dessas doses mais altas”, complementa a especialista.

Doses mais altas representam um risco maior?

Ao mesmo tempo que a chegada das novas doses representa a ampliação da linha de tratamento, também traz preocupações quanto ao uso indiscriminado deste tipo de medicamentos.

Segundo levantamento da Conexa Saúde com base em dados do Google, o Brasil ocupa a 2ª posição no ranking mundial de buscas por Mounjaro e medicamentos relacionados.

Já uma pesquisas qualitativas da NielsenIQ aponta que 25% e 30% dos lares brasileiros têm pelo menos uma pessoa que já usou canetas emagrecedoras (Ozempic, Wegovy e Mounjaro, por exemplo). Isso inclui as versões oficiais dos medicamentos, que exigem prescrição médica, ou genéricas como as “canetas do Paraguai”.

Segundo a endocrinologista Iara do Vale, o problema não está no medicamento em si, mas sim no uso sem prescrição ou orientação médica.

O uso sem orientação médica pode trazer riscos e isso se torna ainda mais preocupante com doses mais elevadas. O medicamento precisa de avaliação clínica, definição de dose adequada e acompanhamento para monitorar efeitos e resultados do tratamento.

Iara do Vale, endocrinologista da Unimed Sul Capixaba

Efeitos colaterais e sinais de alerta

Com mais pessoas tendo acesso ao Mounjaro, seja nas doses menores ou nas mais elevadas, é essencial conhecer os efeitos colaterais. Os mais comuns são náuseas, vômitos, diarreia, constipação e redução do apetite, principalmente no início do tratamento ou quando a dose é aumentada.

Entretanto, o paciente deve procurar assistência médica se apresentar:

Qualquer sintoma intenso e prolongado.

Fonte: Folha Vitória

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