Foto: Reprodução/PMERJ
Três policiais militares do Rio de Janeiro foram presos suspeitos de participar do assalto a um ônibus de turismo que fazia o trajeto entre São Paulo e Vitória.
Segundo denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, os agentes teriam usado a própria condição de policiais, além de armas e fardamento, para intimidar passageiros e roubar celulares durante uma abordagem na estrada.
De acordo com a investigação, o crime aconteceu na madrugada do dia 10 de maio de 2025, na Rodovia Raphael de Almeida Magalhães, conhecida como Arco Metropolitano, na região da Baixada Fluminense.
O ônibus abordado pertence a uma empresa de turismo e transportava mercadorias compradas em São Paulo por comerciantes.
Os policiais denunciados são o 3º sargento Joás Ramos do Nascimento, o 3º sargento Denis Willians Neres Alpoim e o cabo Rogério Vieira Guimarães, todos do 15º Batalhão da Polícia Militar (BPM), em Duque de Caxias.
Eles foram presos na quinta-feira (5) durante a Operação Arco, realizada pela Corregedoria da corporação.
Celulares teriam sido levados durante revista
Conforme a denúncia, durante a abordagem ao coletivo os policiais alegaram que as mercadorias transportadas no ônibus não possuíam notas fiscais físicas. A partir disso, teriam iniciado uma revista no veículo.
Nesse momento, os agentes teriam se aproveitado da situação para subtrair 11 aparelhos celulares do modelo iPhone, que pertenciam aos passageiros.
A Promotoria afirma que os militares utilizaram a estrutura da função pública para intimidar os ocupantes do ônibus e facilitar o roubo. A investigação também aponta que os três teriam agido com a participação de outras quatro pessoas que ainda não foram identificadas.
Câmeras corporais teriam sido retiradas
Outro ponto destacado na investigação é que, no momento da abordagem, os policiais teriam retirado as câmeras corporais operacionais, equipamento utilizado para registrar ações policiais.
Mesmo sem as gravações, a Promotoria afirma que registros de GPS da viatura e depoimentos das vítimas ajudaram a reforçar os indícios de participação dos militares no crime.
Diante das evidências, o Ministério Público pediu à Justiça a prisão preventiva dos três policiais, alegando risco à ordem pública e possibilidade de intimidação de testemunhas.
Investigação apura ligação com outros casos
Além desse episódio, o Ministério Público também abriu novos procedimentos para investigar o uso irregular de câmeras corporais por policiais do mesmo destacamento.
Outra linha de apuração busca identificar se os militares denunciados podem ter ligação com outro roubo registrado no ano passado, também envolvendo um ônibus de turismo na região de Seropédica, no Rio de Janeiro.
As autoridades informaram ainda que os proprietários dos celulares roubados foram identificados e deverão ser contatados para a devolução dos aparelhos, enquanto seguem as investigações para apurar possíveis casos de receptação.
Por meio de nota, a Polícia Militar informou que a chamada Operação Arco é resultado de investigações conduzidas pela própria Corregedoria, iniciadas na 6ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar, em Campos dos Goytacazes, onde residem as vítimas, e posteriormente encaminhadas à 8ª DPJM, especializada em investigações complexas.
A PM disse ainda que os policiais são investigados por roubo qualificado ocorrido após a abordagem ao ônibus no Arco Metropolitano.
Os mandados, expedidos pela Auditoria da Justiça Militar do Estado do Rio de Janeiro, foram cumpridos em endereços da Baixada Fluminense, e os três militares foram levados para uma unidade prisional da Polícia Militar.
*Texto sob revisão da editora Maeli Radis
Fonte: Folha Vitória