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O Papiloma vírus Humano (HPV) é uma das infecções virais mais comuns no mundo e uma das que mais geram dúvidas. Segundo o Ministério da Saúde, no Brasil a taxa de infecção pelo HPV na genital atinge 54,4% das mulheres que já iniciaram a vida sexual e 41,6% dos homens.
Especialistas reforçam que informação correta é essencial para prevenção e diagnóstico precoce. Neste 4 de março, Dia Internacional de Conscientização sobre o HPV, confira mitos e verdades sobre a infecção.
HPV é sempre uma infecção sexualmente transmissível?
Quase sempre. Segundo a ginecologista Anna Bimbato, a transmissão ocorre principalmente por contato pele a pele durante a relação sexual, mesmo sem penetração ou ejaculação. “O simples contato íntimo já pode transmitir o vírus”, explica.
Outras formas de contágio são consideradas extremamente raras e sem relevância prática na maioria dos casos.
Toda pessoa sexualmente ativa terá contato com o HPV?
A maioria. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 80% das pessoas terão contato com o HPV ao longo da vida.
A diferença é que, na maioria das vezes, o próprio sistema imunológico elimina o vírus espontaneamente. Apenas uma pequena parcela das pessoas desenvolve lesões persistentes.
Anna Bimbato, ginecologista e obstetra da Bluzz
O preservativo impede totalmente a transmissão?
Reduz significativamente o risco, mas não elimina completamente. De acordo com Anna Bimbato, o vírus pode estar presente em áreas não cobertas pelo preservativo.
Ter HPV significa que a pessoa terá câncer?
Não. A ginecologista explica que existem mais de 200 tipos de HPV e alguns são de baixo risco, associados a verrugas, e outros de alto risco, relacionados a cânceres como o de colo do útero.
Ainda segundo ela, mesmo nos tipos oncogênicos, o organismo costuma eliminar o vírus antes que haja progressão para lesões graves.
Homens também podem ter complicações?
Sim. Embora muitas vezes o HPV seja associado apenas ao câncer do colo do útero, homens também podem desenvolver complicações.
“Entre elas estão verrugas genitais, câncer de pênis, câncer anal e câncer de orofaringe”, complementa a especialista.
HPV e HIV são a mesma coisa?
Não. Ambas são sexualmente transmissíveis e podem coexistir, mas o HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) ataca o sistema imunológico, podendo evoluir para a AIDS.
A vacina só funciona antes da vida sexual?
A maior eficácia ocorre antes da exposição ao vírus. No entanto, mesmo após o início da vida sexual ou contato prévio com HPV, a vacina pode oferecer proteção contra outros tipos virais.
É possível eliminar completamente o HPV?
Na maioria dos casos, sim. “O próprio sistema imunológico elimina o vírus naturalmente em um período de um a dois anos”, explica Bimbato.
Entretanto, “em algumas situações, o vírus pode permanecer de forma latente, sem causar sintomas, podendo reaparecer caso haja queda da imunidade”, complementa.
O papanicolau detecta HPV?
O exame de Papanicolau não identifica o vírus diretamente. Ele detecta alterações celulares que podem ser causadas pelo HPV.
Já o teste de HPV detecta a presença do material genético do vírus. Os dois exames têm funções diferentes e podem se complementar no rastreamento.
Anna Bimbato, ginecologista e obstetra da Bluzz
Fonte: Folha Vitória