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Abusos e agressões: família de corretor que matou dono de bar fala de passado do suspeito

A ex-esposa de Carlos, que viveu 40 anos ao lado dele, afirma que o relacionamento foi marcado por violência

Por Redação em 04/03/2026 às 07:30:05
Reprodução/Videomonitoramento

Reprodução/Videomonitoramento

Uma semana do assassinato brutal de João Carlos Spedo, morto a facadas dentro do próprio bar, em Itapuã, Vila Velha, na noite de 23 de fevereiro, a família de Carlos Alberto Lamere Cruz, assassino confesso, compartilhou como era a convivência com ele.

Uma das filhas de Carlos, que não quis se identificar, relatou que a família está sem chão com o assassinato e que sente ter vivido uma mentira ao lado do pai.

Ela confirma que já testemunhou Carlos sendo violento com a mãe, mas nunca esperou que uma situação como esta pudesse acontecer.

Minha família está sem chão, foi um crime bárbaro. Nunca imaginei, nem nos meus piores pesadelos que tivesse sido criada por um monstro, por um criminoso. Embora a gente tenha passado sim por violência doméstica, minha mãe sofreu desde que era muito nova. A gente vê no noticiário, mas acontecia ali dentro de casa.

A mulher, de 37 anos, conta que o pai a telefonou logo depois de cometer o crime e que por instantes chegou a não acreditar no que tinha ouvido. Ela relata ter pensado que o pai estava delirando e chegou a ligar para a irmã para que fossem à delegacia.

Ela relata ainda que sente ódio da atitude do pai e deseja que a família da vítima tenha forças para enfrentar a situação.

“Que Deus console a família do João, porque eu não imagino a dor. A minha dor é diferente, é de ódio, de raiva, de sentir que é uma farsa o que vivi a vida inteira. Mas a dor da perda eu não consigo mensurar”, disse.

“Vivi com um criminoso”, diz filha

Ainda de acordo com a filha de Carlos, a descrença de ter sido criada em um mesmo ambiente que um homem que cometeria este tipo de crime algum dia.

De acordo com ela, a esperança que a família nutre é de que Carlos seja punido pelo crime que cometeu.

“E o que vou falar para os meus filhos? Que o avô deles é um criminoso? As pessoas não têm noção do outro lado. Quem me conhece sabe o quanto eu sou boa para tudo. Eu não teria coragem de fazer nada com ninguém. Deus sabe que no meu coração eu quero que a justiça seja feita, que ele apodreça lá, que a justiça seja feita direito”, desabafou.

Anos de violência doméstica

A ex-esposa de Carlos, que viveu 40 anos ao lado dele, afirma que o relacionamento foi marcado por violência. De acordo com ela, os episódios de agressão se tornaram mais e mais frequentes conforme os problemas com alcoolismo do suspeito aumentavam e se tornavam mais evidentes.

“Foram se passando os anos, a bebida foi aumentando e a violência também. Eu, por amor, fui mantendo a família. Eu queria a família estruturada, sempre lutando pela minha família, que minhas filhas não podiam ficar sem o pai, e nisso eu fui sofrendo”, contou.

A mulher, que também não quis se identificar, afirmou que a violência evoluiu a tal ponto que ela temia pela própria vida ao sair de casa. Além disso, afirma que nunca imaginou que um episódio como o assassinato poderia acontecer.

Nunca na minha vida eu imaginava que fosse para fora o que aconteceu. Todos os tipos de violência que uma mulher pode sofrer, eu sofria. Agressão física, financeira, psicológica. Psicológica, então, era todos os dias. Chegou a um ponto de eu ter medo de sair de casa. Eu ia para faculdade e tinha medo de voltar para casa, meu medo chegou a esse ponto.

João Carlos Spedo, de 61 anos, era dono do tradicional “Bar do João”, em Itapuã, Vila Velha. Natural de Minas Gerais, morava no Espírito Santo há mais de 40 anos. Mecânico industrial de formação, trabalhou por muitos anos na área antes de decidir empreender. Há nove anos, comandava o bar onde foi morto.

O crime aconteceu na noite de segunda-feira (23). Segundo informações apuradas, o corretor de imóveis, Carlos Alberto Lameri Cruz, de 58 anos, cliente do bar, entrou no estabelecimento, foi até onde João estava, próximo ao caixa, e o golpeou diversas vezes com uma faca. A vítima não resistiu aos ferimentos e morreu no local.

Imagens mostram que, após o ataque, o suspeito deixou o bar.Ele foi localizado minutos depois pela polícia, em outro estabelecimento, onde bebia. De acordo com as informações levantadas, o crime teria sido motivado por uma dívida. O homem estaria devendo no bar e não teria gostado de ser cobrado.

O suspeito, de 58 anos, foi autuado em flagrante por homicídio qualificado, em razão da impossibilidade de defesa da vítima, e encaminhado ao presídio.

*Com informações da repórter Thainara Ferreira, da TV Vitória/Record

Fonte: Folha Vitória

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