Há dez anos entre 3 e 25 de fevereiro de 2017 o Espírito Santo vivia o período mais violento de sua história. Agressões, assassinatos e assaltos em todas as regiões, durante a ‘greve da PM’. Um movimento iniciado nas portarias dos batalhões da Polícia Militar do Espírito Santo, com os familiares acampando e impedindo que os agentes entrassem ou saíssem.
Nos bastidores, associações de soldados, cabos, bombeiros e oficiais de alta patente estimularam o movimento na luta pelo aumento salarial – o piso naquele ano já chegava há R$2,6 mil sem reajuste há sete anos – considerado o pior de todo o país.
“Nem gosto de lembrar daquilo. Foram muitas mortes. E eu tenho uma tia que fechou as portas de seu comércio depois daquele ano. Um trauma que nunca superou. Ele vendia salgados e naquela época os ladrões se sentiram tão livres para roubar que não tampavam o rosto e quebraram tudo na loja, roubaram e gritavam com as pessoas. Um terror”, relembra Marcela Souza, moradora de Jardim da Penha.
As mortes, destacadas por Marcela passaram de 150, segundo das oficiais da Secretaria de Segurança. O ano de 2017 fechou com o registro de 1493 – em todo mês fevereiro foram 242 homicídios.
“Lembro como se fosse semana passada. Foi, realmente, um tempo que marcou a todas nós, a sociedade capixaba. Graças a Deus não tive pessoas próximas a mim assassinadas, mas o noticiário era de horror. Todos os jornais com placar de crimes, o número de mortes aumentavam. Eu lembro que bateu 25 mortes e o IML mostrou a falta de espaço”, lamenta Isaías Carvalho.
Na greve da PM, ou aquartelamento, a segurança do Espírito Santo foi restabelecida com a chegada de 200 homens da Força Nacional que desembarcaram no Estado e atuaram por cerca de 30 dias e o acordo entre o Estado, familiares de militares e os PM.
Fonte: ES HOJE