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Práticas e convenientes para o dia a dia, as lentes de contato exigem disciplina e rigor com a higiene. O hábito aparentemente inofensivo de tomar banho, nadar em piscinas ou mares e dormir com as lentes pode se transformar no cenário ideal para infecções graves por bactérias, fungos e protozoários — capazes de causar úlceras de córnea irreversíveis e até a perda da visão.
A maioria das complicações relacionadas ao uso de lentes decorre da exposição à água não estéril e da falta de oxigenação da córnea. Principais erros com relação ao uso de lentes de contato
Erros comuns de quem usa lentes
Contato com água potável, piscinas ou mar: risco extremo de contaminação por Acanthamoeba e bactérias. A água corrente, de piscinas, lagos e do mar contém micro-organismos que aderem facilmente ao material poroso da lente. Dentre eles destaca-se a Acanthamoeba, um protozoário resistente que causa ceratite severa, provocando dor intensa e risco de cegueira.
Dormir com as lentes de contato: hipóxia corneal ( falta de oxigenação na córnea) e proliferação bacteriana. Durante o sono, as pálpebras fechadas reduzem drasticamente a quantidade de oxigênio que chega à córnea. Com a lente, cria-se um ambiente abafado e sem oxigênio (hipóxia), ideal para a multiplicação acelerada de bactérias como a Pseudomonas aeruginosa.
Uso de água da torneira ou saliva para higienização: prática de alto risco para o olho. Lavar as lentes ou o estojo com água da torneira ou umedecê-las na boca introduz diretamente milhões de germes no tecido ocular, anulando qualquer desinfecção anterior.
Guia prático de higiene e armazenamento
Para manter a saúde ocular e evitar infecções graves, o cuidado com as lentes de contato exige uma rotina diária e sem exceções. Cada etapa do manuseio conta com práticas corretas recomendadas por especialistas e erros que devem ser terminantemente evitados.
Higienização das mãos: antes de encostar nas lentes ou nos olhos, é fundamental lavar muito bem as mãos com água e sabão neutro, garantindo a secagem completa em uma toalha limpa que não solte fiapos. Em contrapartida, nunca utilize sabonetes hidratantes ou perfumados — que deixam resíduos na pele —, tampouco manuseie as lentes com as mãos ainda úmidas.
Limpeza e desinfecção da lente: a higienização correta exige friccionar suavemente a lente na palma da mão com solução multiuso específica por alguns segundos antes de guardá-la. É um erro grave recorrer a soro fisiológico, água boricada, saliva ou água da torneira para limpar ou enxaguar as lentes, pois esses líquidos não desinfetam e podem introduzir germes perigosos no olho.
Cuidados com o estojo: a manutenção do estojo exige enxaguá-lo exclusivamente com a própria solução multiuso, deixá-lo secar ao ar livre de cabeça para baixo e substituí-lo por um novo a cada 1 a 3 meses. Jamais lave o estojo com água da torneira na pia do banheiro e nunca complete ou reutilize a solução que sobrou da noite anterior.
Validade e respeito ao descarte: por fim, é indispensável respeitar rigorosamente o prazo de descarte indicado pelo fabricante ou oftalmologista — seja ele diário, quinzenal ou mensal. Estender o uso da lente após o vencimento, justificando que ela “ainda parece confortável”, coloca a integridade da córnea em risco e aumenta significativamente as chances de complicações visuais.
Sinais de Alerta: quando procurar o oftalmologista imediatamente
Em caso de desconforto, remova as lentes imediatamente. Procure atendimento médico urgente se apresentar:
Sensibilidade excessiva à luz (fotofobia);
Sensação de corpo estranho
Nenhum sintoma ocular associado ao uso de lentes de contato deve ser ignorado ou tratado com automedicação.
Fonte: Folha Vitória