Lua Blanco, atriz e cantora. Foto: Instagram/@lua_blanco
A atriz e cantora Lua Blanco, de 39 anos, conhecida por interpretar Roberta Messi na novela Rebelde Brasil, morreu neste domingo (18), em decorrência de um câncer de intestino, também conhecido como colorretal. A doença foi diagnosticada cerca de dois meses antes da morte, segundo informações divulgadas pela imprensa.
O caso chama a atenção para a doença, que também atingiu a cantora Preta Gil, morta em julho de 2025, aos 50 anos. O ator Lúcio Mauro Filho e o jornalista Chico Pinheiro também já falaram publicamente sobre diagnósticos da doença.
O câncer colorretal afeta o cólon ou o reto, partes do intestino grosso, e está entre os tumores mais incidentes no Brasil, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca). As estimativas do Inca para 2026-2028 colocam o tipo como o segundo mais incidente tanto entre homens quanto entre mulheres: 10,3% para o primeiro grupo e 10,5% para o segundo.
Quais são os sinais do câncer de intestino?
Segundo a oncologista clínica Juliana Alvarenga, alguns sintomas podem indicar a presença da doença. Entre os principais sinais estão:
Alteração no hábito intestinal;
Fezes mais finas, em formato de fita;
Perda de peso inexplicável.
E é aí que mora um grande desafio, pois sintomas como sangramento nas fezes, alterações no hábito intestinal, fezes afinadas em formato de fita, dor abdominal e perda de peso inexplicável costumam ser subestimados ou confundidos com condições benignas, como hemorroidas ou intolerâncias alimentares.
Juliana Alvarenga, oncologista clínica
Uma pesquisa divulgada pelo Hospital A.C. Camargo em parceria com a Nexus apontou que quatro em cada dez brasileiros não procuram um médico ao perceber sintomas que podem estar relacionados ao câncer colorretal.
“Esse atraso em buscar uma avaliação especializada faz com que a doença, muitas vezes silenciosa nas fases iniciais, seja diagnosticada em estágios mais avançados”, alerta.
Câncer de intestino também preocupa entre adultos jovens
A morte da atriz também chama a atenção para o diagnóstico da doença em pessoas mais jovens. Embora o risco aumente com a idade, o câncer colorretal não atinge apenas pessoas idosas.
“Temos observado com muita atenção esse aumento consistente na incidência de tumores colorretais em faixas etárias mais jovens, um fenômeno que envolve múltiplos fatores ambientais e comportamentais”, afirma a oncologista.
Segundo Juliana, o diagnóstico pode demorar quando os sintomas são pouco específicos ou não são investigados. A doença pode permanecer silenciosa nas fases iniciais e ser descoberta em estágios mais avançados.
“Precisamos mudar a percepção de que o câncer de intestino é uma doença exclusiva do envelhecimento”, afirma.
Quais fatores aumentam o risco?
Entre os fatores associados ao desenvolvimento do câncer colorretal estão o consumo frequente de alimentos ultraprocessados e embutidos, uma alimentação pobre em fibras, o sedentarismo e a obesidade.
A oncologista ressalta que a combinação de fatores ambientais e comportamentais é importante para compreender o aumento dos casos em pessoas mais jovens.
O consumo frequente de alimentos ultraprocessados e ricos em embutidos, dietas pobres em fibras, o sedentarismo, a obesidade e a exposição precoce a fatores de risco são apontados pela ciência como os principais impulsionadores dessas alterações precoces na mucosa intestinal.
Juliana Alvarenga, oncologista clínica
Fonte: Folha Vitória