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No cenário das Eleições 2026, o acompanhamento constante da disputa e o clima de confronto podem desgastar emocionalmente os eleitores. A pesquisa BTG/Nexus divulgada neste mês mostra que 38% dos entrevistados estão cansados ou desconfortáveis com a polarização política.
Entre os entrevistados de 16 a 24 anos, o índice de cansaço chega a 52%. O levantamento ouviu 2.002 pessoas com 16 anos ou mais, por telefone, entre 10 e 12 de outubro, e tem margem de erro de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
O dado não representa diagnóstico de ansiedade ou de outro transtorno mental, mas indica desconforto relacionado ao ambiente político.
A expressão “ansiedade eleitoral” pode descrever preocupação, tensão ou sofrimento emocional associados ao período de eleições.
O excesso de notícias, os debates frequentes nas redes sociais e a cobrança por uma posição política podem aumentar esse desgaste, sobretudo quando passam a ocupar grande parte da rotina.
A situação merece atenção quando interfere no sono, no trabalho, nos relacionamentos ou em outras atividades cotidianas.
A psicóloga Sátina Pimenta aponta que a pressão para escolher um campo político também pode gerar cobranças pessoais.
Essas eleições estão promovendo um movimento tão duro que tem que ser ‘A’ ou ‘B’, que algumas pessoas já nem querem mais fazer uma escolha e aí são classificadas como ‘em cima do muro’. Isso gera um outro tipo de auto-cobrança, do tipo: será que estou sendo omisso?. Ou seja, até mesmo quem opta em não se posicionar, é julgado, questionado”
Sátina Pimenta, psicóloga
Os conflitos podem ultrapassar o debate público e chegar a famílias, amizades e relacionamentos.
“Os conflitos estão acontecendo dentro de casa. Só se fala, só se ouve sobre isso. Tudo é relacionado às eleições. Por vezes, casais deixam o tema prevalecer dentro do ambiente familiar, falando muito sobre política, sobre o voto e acabam brigando. Tios, primos, avós e pais estão deixando grupos de conversa da família por causa de desgastes e discussões”, disse Sátina.
As redes sociais também podem reforçar posições e reduzir a disposição para o diálogo, segundo a psicóloga Letícia Santana.
A internet em si, as mídias sociais acabam entregando só o que queremos ouvir e isso por si só já aumenta a intolerância. Se você passar o dia sendo confirmado da sua verdade como única, vai acabar intolerante. O que nos faz humanos é o diálogo, o conflito de opiniões. E isso se perdeu muito.
Letícia Santana, psicóloga
Para reduzir o desgaste, o eleitor pode estabelecer horários para acompanhar notícias, fazer pausas nas redes sociais e silenciar grupos ou perfis que se tornem fonte recorrente de conflitos.
Atividades prazerosas, exercícios físicos e a convivência com pessoas queridas também podem ajudar a preservar momentos fora do debate político.
Cuidar da saúde mental, nesse caso, não significa ignorar as eleições ou deixar de participar da vida democrática, mas buscar equilíbrio na forma de se informar.
Letícia Santana defende que o convívio deve permanecer acima das divergências políticas.
“No fim do processo, o que fica mesmo, de verdade, são os amigos, a família e os relacionamentos. Não podemos e nem devemos abrir mão disso por causa da política ou de um candidato ou outro. O momento é de raciocinar como um todo. Coletivamente”.
Se o sofrimento persistir ou começar a prejudicar o sono, o trabalho, os relacionamentos e outras tarefas diárias, a orientação é buscar avaliação de um profissional de saúde mental. O acompanhamento pode ajudar a diferenciar um desconforto pontual de um quadro que exige cuidado clínico.
*Texto sob a supervisão da editora Erika Santos
Fonte: Folha Vitória