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Médico que viu seus pequenos pacientes crescerem agora atende os filhos deles no ES

O pediatra Pedro Scarpi acompanhou pacientes desde bebês e hoje cuida dos filhos delas em Cachoeiro

Por Redação em 18/10/2026 às 13:00:07
Pedro Scarpi atendendo Aurora, filha de Luana Blunck Albuquerque. Imagem: Acervo pessoal

Pedro Scarpi atendendo Aurora, filha de Luana Blunck Albuquerque. Imagem: Acervo pessoal

A confiança é um dos pilares da relação entre médico e paciente e, quando essa relação se mantém ao longo dos anos, o vínculo pode atravessar gerações. Na pediatria, esse vínculo ganha uma dimensão ainda maior: além de acompanhar o desenvolvimento da criança, o profissional precisa acolher as dúvidas e inseguranças dos pais, que encontram nele uma referência para cuidar da saúde dos filhos.

Neste Dia do Médico (18), a história do pediatra Pedro Scarpi representa esse vínculo construído ao longo do tempo. Há 30 anos, ele atende crianças em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo. Ao longo da carreira, acompanhou pacientes desde os primeiros meses de vida e, hoje, recebe no consultório os filhos de pessoas que também estiveram sob seus cuidados na infância.

Uma delas é Luana Blunck Albuquerque, de 28 anos, levada ao consultório de Pedro ainda bebê, por indicação da Unimed Sul Capixaba, e paciente do médico até completar 18 anos. Ela se mudou de Cachoeiro para cursar Odontologia na capital capixaba, mas, quase oito anos depois, voltou a procurar o pediatra: queria que ele também fosse médico da sua primeira filha Aurora.

E não parou por aí. Além da primogênita, que agora tem 1 ano e 10 meses, ele também atenderá o recém-nascido Marcos Antônio.

Eu queria alguém de confiança para acompanhar os meus filhos. Sabia que ele ainda estava atuando e que teria o mesmo carinho que teve comigo. Hoje em dia é tão difícil encontrar um atendimento humanizado.

A confiança construída desde a infância

A relação de Luana com o pediatra começou depois que seus pais enfrentaram dificuldades para descobrir a causa de um problema de saúde quando ela ainda era bebê. Segundo ela, Pedro foi indicado pela Unimed e se dedicou à investigação do caso, inclusive buscando a avaliação de outro médico.

“Meus pais falaram que eu tive um problema quando tinha poucos meses. O Dr. Pedro foi indicado pela Unimed na época e conseguiu descobrir o que estava acontecendo. Ele foi muito atencioso, chamou um médico de fora para descartar algumas coisas que não estavam conseguindo identificar. Depois, quando fiquei internada, com uns quatro anos, ele continuou sendo muito atencioso comigo e com a minha família”, conta.

A experiência fez com que os pais de Luana mantivessem o acompanhamento com o pediatra. Anos depois, quando ela decidiu ter a primeira filha em Cachoeiro, a lembrança daquele cuidado pesou na escolha.

Para o pediatra, esse é um dos principais sinais de reconhecimento do seu trabalho.

Quando esse paciente passa dos 18 anos e traz o filho aqui, é sinal de que realmente marcou. Se tivesse algum problema, não teria voltado para cá. Acho que o primeiro passo é essa confiança que os pacientes têm na gente. Claro que também tem que ter resultado, e, para isso, é preciso muito estudo, dedicação e atenção no atendimento

O cuidado que também acolhe as mães

A confiança também apareceu nos primeiros meses de vida de Aurora, quando a menina apresentou refluxo. Mãe de primeira viagem, Luana ficou preocupada com os episódios em que a filha golfava e chegou a pesquisar na internet possíveis doenças que poderiam explicar os sintomas.

“Eu estava muito assustada, com medo de ela engasgar. Mandava mensagem para ele a cada cinco minutos, contando o que a Aurora tinha feito ou perguntando sobre alguma coisa que eu encontrava na internet. E ele tinha uma paciência enorme para me explicar, dizer por que não era aquilo que eu estava imaginando e me mostrar que os exames estavam bem”, lembra.

A experiência de Ana Carolinny Viana Scarpi, de 27 anos, também mostra como a relação com o pediatra ultrapassou a infância. Quando criança, ela era acompanhada por Pedro por causa de alergias frequentes. Hoje, leva a filha Sarah, de 4 anos, ao mesmo médico.

Para ela, a experiência de ter sido paciente do médico contribuiu para que ela se sentisse segura ao escolher quem acompanharia a filha desde os primeiros dias de vida. Ela também destaca a forma como Pedro conversa com as crianças e explica os diagnósticos e tratamentos aos responsáveis.

Eu me sinto extremamente segura nas avaliações com ele. Minha filha gosta dele e conversa com ele, mesmo sendo muito quietinha. Ele é um médico prático, explica o que está acontecendo, como é a doença e como deve ser tratada. Mas, se tivesse que escolher uma palavra para defini-lo como profissional, seria humanidade. Ele não deixou que a parte técnica da medicina tirasse dele o lado humano.

Ana Carolinny, mãe da Sarah

Um episódio vivido por Ana nas primeiras semanas após o nascimento de Sarah ficou especialmente marcado. Ela enfrentava dificuldades para estabelecer a amamentação e se sentia culpada por precisar complementar a alimentação da filha com fórmula infantil, embora a menina estivesse ganhando peso.

Segundo ela, Pedro foi direto ao explicar que o bem-estar da mãe também fazia parte do cuidado com a criança. “Ele foi muito claro ao dizer que, para minha filha ficar bem, eu precisava ficar bem também. Isso não significava que eu estava tratando a Sarah mal ou colocando-a em segundo plano”, relata.

A orientação trouxe tranquilidade para Ana em um momento de insegurança. Ela conta que conseguiu oferecer a fórmula à filha com mais serenidade depois da conversa e que a lembrança continua importante até hoje.

“Foi a paz que ele me passou quando foi necessário introduzir a fórmula. Eu dei aquela mamadeira com paz no coração. Nas primeiras vezes, parecia que aquilo era uma faca no meu peito, porque eu me sentia culpada. Mas depois entendi que aquilo faria bem para nós duas e que não era minha culpa”, conta.

A humanidade como parte da medicina

A trajetória de Pedro Scarpi começou na escola pública e passou pela formação em Medicina na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Depois de três anos de residência em Pediatria em São Paulo e outros dois anos em Vitória, ele voltou para Cachoeiro em 1996.

Além do atendimento em consultório, trabalhou na terapia intensiva pediátrica e coordenou a UTI pediátrica do Hospital Infantil Francisco de Assis (Hifa) por 25 anos. Também foi diretor e presidente da Unimed Sul Capixaba por dois mandatos cada. Atualmente, é conselheiro de administração da cooperativa e presidente do Sistema OCB/ES.

Ao falar sobre o que considera essencial na profissão, o pediatra afirma que o avanço tecnológico não deve substituir a atenção individualizada, a conversa e o cuidado com as pessoas. Para ele, a postura do médico precisa ser a mesma independentemente da condição financeira do paciente ou da forma de atendimento.

“Esse lado humanitário não muda, seja qual for a tecnologia que vier. Dar atenção, conversar, examinar e se dedicar àquilo que você está fazendo são coisas que a tecnologia não vai mudar. Atender uma pessoa muito humilde ou um milionário não faz diferença nenhuma para mim”, afirma.

Na pediatria, ele destaca que o vínculo precisa ser construído tanto com a criança quanto com os responsáveis. A falta de confiança de uma das partes, avalia, pode comprometer o acompanhamento.

Não adianta os pais gostarem do médico se a criança achar o atendimento horrível. E também não adianta a criança gostar se eu não tiver um bom relacionamento com os pais. É preciso ter atenção, dedicação e muito estudo.

Fonte: Folha Vitória

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