Porto de Vitória. Foto: Thiago Soares/Folha Vitória
Se em decorrência ou não do acordo Mercosul-União Europeia, o certo é que as exportações capixabas para o Velho Continente cresceram de forma significativa. No comparativo entre janeiro e setembro de 2025 e o mesmo período de 2026, as exportações do Espírito Santo, em valores expressos em dólares, passaram de US$ 1,00 bilhão para US$ 1,52 bilhão. Um crescimento de 51,6%.
Esse movimento fez com que a participação da União Europeia nas exportações capixabas passasse de 13% do total exportado no período, em 2025, para 20% em 2026.
Aliás, na mesma direção das exportações brasileiras para aquele destino, porém, com menor intensidade, cuja participação passou de 14,4% para 15,5%, registrando crescimento de 20%.
Em termos nacionais, o mercado europeu acabou compensando as perdas para o mercado americano.
Traduzindo em valores, enquanto as exportações para a União Europeia passaram de US$ 36,8 bilhões para US$ 44,6 bilhões, no acumulado até setembro dos dois anos, para os EUA passaram de US$ 29,37 bilhões para US$ 27,46 bilhões. Ou seja, a participação dos EUA nas exportações nacionais caiu de 11,4% para 9,6% no período.
Já para o Espírito Santo, o mercado americano continua no topo do ranking, praticamente mantendo sua participação em 29%, com crescimento de 2,2%, passando de US$ 2,20 bilhões para US$ 2,25 bilhões. Isso, a despeito do tarifaço. O que indica certa resiliência na manutenção daquele mercado.
Resta saber quais produtos capixabas avançaram no mercado europeu. Em destaque aparece a categoria dos semimanufaturados de aço, com avanço na participação de 11,8% para 26%.
Nesse caso, é razoável admitir a hipótese de uma mudança na estratégia comercial da ArcelorMittal, que, ao se deparar com entraves tarifários americanos, busca reposicionar-se no mercado global.
Dos 12 principais produtos exportados pelo Espírito Santo para a União Europeia, que respondem por cerca de 95% do total, oito apresentaram crescimento.
Dentre estes, além dos semimanufaturados de aço, destacam-se o café, segundo em importância na pauta, com participação de 25,1% em 2026 e crescimento de 5,4%; o minério de ferro, com participação de 16,6% e crescimento de 42%; e o óleo bruto de petróleo, com crescimento de 73%, possivelmente influenciado pelas mudanças no mercado internacional de energia e pelas tensões no Oriente Médio.
As quedas, concentradas em produtos que representam cerca de 5% da pauta de exportações, ocorreram principalmente em produtos agrícolas. A maior retração foi registrada na pimenta-do-reino (-47%), seguida do café solúvel (-21%), mamão (-11%) e gengibre (-3,4%).
No caso dos produtos agrícolas, era de se supor que, com o acordo em vigência, estes estivessem entre os primeiros a serem beneficiados, já que, à exceção do café solúvel, contam com tarifas zero.
Numa primeira avaliação, até por conta do pouco tempo de vigência do acordo, não se pode imputar somente a este uma relação de causalidade com os resultados observados.
Mas, sim, podemos admitir a hipótese de que se trata de um movimento que conjuga reações ao tarifaço americano e estratégias de mercado alimentadas por expectativas em torno do acordo Mercosul-União Europeia.
Em síntese, ao que nos parece, o Espírito Santo adianta-se nessa perspectiva de busca de diversificação de seus mercados de exportação. Isso sem, no entanto, abdicar de seu maior parceiro comercial, os Estados Unidos.
Fonte: Folha Vitoria