Imagem: Reprodução
A Justiça Federal tornou réus 12 ex-executivos da Americanas acusados de envolvimento em uma fraude contábil estimada em pelo menos R$ 22,8 bilhões. A denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) foi aceita pela 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.
Com a abertura da ação penal, os ex-executivos passam a responder formalmente às acusações. O recebimento da denúncia, porém, não representa uma condenação. A responsabilidade de cada réu ainda será analisada durante o processo, que tramita sob segredo de Justiça.
A denúncia havia sido apresentada pelo MPF em março de 2025 contra 13 ex-funcionários da companhia. Um deles, o ex-diretor Márcio Cruz Meirelles, firmou posteriormente um acordo de colaboração premiada. Por isso, a ação penal foi aberta contra os outros 12 acusados.
Entre os réus estão Miguel Gutierrez, ex-presidente da Americanas, e Anna Christina Ramos Saicali, ex-diretora da varejista.
Ex-executivos são acusados de três crimes
Os antigos integrantes da empresa foram denunciados por associação criminosa, falsidade ideológica e manipulação de mercado. Parte dos réus também é acusada de uso indevido de informação privilegiada.
Segundo a investigação, os resultados financeiros da Americanas teriam sido artificialmente aumentados por meio do registro de verbas de propaganda que não existiam. Os balanços também teriam omitido operações conhecidas como risco sacado.
Nesse tipo de operação, uma instituição financeira antecipa ao fornecedor o valor que seria pago pela empresa. A companhia passa a dever ao banco, mas, segundo a acusação, parte desses compromissos não era registrada corretamente como dívida financeira.
O MPF sustenta que as informações apresentadas ao conselho de administração, aos investidores e ao mercado não refletiam a situação financeira real da varejista.
As irregularidades começaram a ser reveladas em janeiro de 2023, quando a Americanas comunicou ao mercado a identificação de inconsistências contábeis estimadas inicialmente em R$ 20 bilhões.
O caso deu origem à Operação Disclosure, conduzida pela Polícia Federal, e a diferentes investigações na esfera criminal e no mercado de capitais. A Comissão de Valores Mobiliários também abriu procedimentos para apurar possíveis infrações relacionadas à companhia.
Após a revelação das inconsistências, a Americanas entrou em recuperação judicial com dívidas superiores a R$ 40 bilhões.
Em nota, a Americanas afirmou que foi vítima de uma fraude “estruturada e de natureza dolosa” cometida por antigos executivos.
A companhia declarou que, ao longo de anos, os responsáveis teriam manipulado controles internos, registros contábeis e informações encaminhadas ao mercado. A empresa informou ainda que não teve acesso à íntegra da decisão, mas disse confiar no trabalho da Justiça e das autoridades.
*Com informações do portal ND+
Fonte: Folha Vitoria