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Meu filho troca letras ao falar: até quando isso é normal?

Dificuldades persistentes podem estar relacionadas à audição

Por Redação em 12/10/2026 às 09:00:12
Imagem de shurkin_son no Magnific

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Essa é uma dúvida muito frequente entre pais de crianças pequenas. Trocar sons, simplificar palavras ou ter dificuldade para pronunciar determinadas consoantes pode fazer parte do desenvolvimento normal da fala. O ponto importante é saber até quando essas trocas são esperadas e reconhecer situações nas quais uma avaliação é necessária.

Antes de tudo, é interessante corrigir uma expressão bastante utilizada: quando uma criança fala “tato” em vez de “gato”, por exemplo, ela não está propriamente trocando letras. As letras pertencem à linguagem escrita. Na fala, estamos lidando com sons, chamados fonemas.

A aquisição desses sons acontece progressivamente.

Com que idade a criança deve pronunciar todos os sons?

Nos primeiros anos de vida, a criança ainda está aprendendo a coordenar movimentos bastante precisos dos lábios, língua, mandíbula e palato, ao mesmo tempo em que desenvolve a capacidade de perceber e organizar os diferentes sons da língua.

Por isso, não devemos esperar que uma criança de dois anos fale como uma de seis.

De maneira geral, aos dois anos, a fala ainda pode apresentar diversas simplificações e nem sempre é facilmente compreendida por pessoas que não convivem com a criança. Aos três anos, a inteligibilidade costuma aumentar bastante, embora algumas trocas permaneçam. Por volta dos quatro anos, espera-se que a fala esteja compreensível na maior parte das situações.

Alguns sons mais complexos podem demorar mais para serem adquiridos. Isso acontece especialmente com determinados sons envolvendo o “r”, encontros consonantais como “pr”, “tr” e “br” e outras estruturas que exigem coordenação motora mais sofisticada.

De forma geral, espera-se que por volta dos cinco anos a criança já tenha adquirido a maior parte dos sons da fala. Algumas dificuldades específicas podem persistir até aproximadamente seis anos, dependendo do som e das características individuais. Mais importante do que decorar uma idade exata, entretanto, é observar a evolução.

Uma criança de três anos que apresenta algumas trocas, mas está ampliando o vocabulário, formando frases cada vez mais complexas e tornando sua fala progressivamente mais compreensível apresenta uma situação muito diferente daquela que praticamente não evoluiu nos últimos meses.

Quando as trocas de sons podem indicar uma alteração?

Outro ponto fundamental é verificar se as trocas seguem um padrão.

Algumas crianças substituem sistematicamente um determinado som por outro. Outras omitem sons ou simplificam palavras complexas. Esses padrões podem fazer parte do desenvolvimento, mas, quando persistem além da idade esperada, podem caracterizar um transtorno dos sons da fala, incluindo alterações fonológicas ou dificuldades predominantemente articulatórias.

Nessas situações, a avaliação do otorrinolaringologista é fundamental.

Mas existe outro aspecto que não pode ser esquecido: para aprender a falar corretamente, a criança precisa escutar adequadamente.

Uma criança com perda auditiva pode ter dificuldade para perceber diferenças sutis entre os sons. E isso nem sempre significa uma surdez importante. Perdas auditivas leves ou flutuantes também podem interferir no desenvolvimento da fala.

Problemas de audição também podem afetar a fala

Um exemplo muito comum é a otite média com efusão, conhecida popularmente como presença de “líquido” ou “secreção” atrás da membrana timpânica. Ela é particularmente frequente na infância e pode permanecer algum tempo sem provocar dor ou febre.

A criança aparentemente escuta, mas os sons podem chegar de maneira abafada. Imagine tentar aprender uma língua escutando as palavras com um travesseiro sobre a caixa de som. É possível compreender muita coisa, mas distinguir alguns detalhes fica mais difícil.

Por isso, diante de alterações persistentes da fala, a avaliação da audição é uma etapa primordial da investigação.

Dependendo da idade, podem ser realizados diferentes exames, como audiometria, imitanciometria e testes auditivos específicos para crianças menores. A avaliação pelo otorrinolaringologista também permite verificar as condições da orelha externa, da membrana timpânica e da orelha média.

Alguns sinais devem chamar particularmente a atenção dos pais.

Uma criança que não reage adequadamente quando é chamada, aumenta muito o volume da televisão, pede frequentemente para repetir o que foi dito ou apresenta histórico de otites recorrentes merece avaliação. O mesmo vale para aquela que parecia desenvolver a linguagem normalmente e depois apresentou regressão ou perda de habilidades já adquiridas.

Trocar sons é diferente de ter atraso na linguagem

Também devemos observar a linguagem como um todo.

Trocar sons é diferente de apresentar atraso de linguagem. Uma criança pode pronunciar algumas palavras incorretamente e, ao mesmo tempo, possuir excelente vocabulário e construir frases adequadas para sua idade. Outra pode falar poucas palavras, ter dificuldade para compreender comandos ou não conseguir construir frases esperadas para sua faixa etária.

Nesse segundo grupo, a investigação precisa ser mais ampla.

Alterações no desenvolvimento da linguagem podem estar relacionadas a perda auditiva, transtorno do desenvolvimento da linguagem, alterações motoras da fala, condições neurológicas e diferentes transtornos do neurodesenvolvimento. Isso não significa que toda criança que demora a falar tenha alguma dessas condições, mas mostra por que simplesmente esperar indefinidamente não é uma boa estratégia.

A famosa frase “cada criança tem seu tempo” contém uma parte de verdade, mas tem limites. Existe variação individual no desenvolvimento, porém também existem marcos esperados para cada faixa etária.

Quando existem dúvidas, avaliar precocemente não prejudica a criança. Pelo contrário: permite tranquilizar a família quando o desenvolvimento está adequado ou iniciar intervenção quando realmente existe uma alteração.

Como os pais podem ajudar no desenvolvimento da fala?

Outro erro frequente é corrigir a criança insistentemente: “Não é ‘pato’, é ‘prato’. Fala direito!”. Isso pode gerar frustração sem necessariamente melhorar a pronúncia.

Uma estratégia melhor é oferecer o modelo correto naturalmente. Se a criança disser “quero o pato” apontando para o prato, o adulto pode responder: “Você quer o prato? Vou pegar o prato para você”. Assim, ela escuta a produção adequada sem transformar cada conversa em uma prova oral.

Conversar bastante, ler histórias, cantar, brincar com palavras e reduzir o excesso de telas também favorecem experiências linguísticas importantes.

Portanto, algumas trocas de sons são absolutamente normais nos primeiros anos de vida e tendem a desaparecer progressivamente. Por volta dos cinco anos, entretanto, a maior parte dos sons já deve estar estabelecida, embora algumas aquisições mais complexas possam ocorrer posteriormente.

Se a fala for muito difícil de compreender, as trocas forem numerosas ou persistentes, houver pouca evolução, atraso na linguagem, regressão, suspeita de dificuldade auditiva ou histórico frequente de problemas na orelha, não é necessário esperar a criança crescer mais para uma avaliação especializada.

Nessas situações, a avaliação otorrinolaringológica ajuda a responder à pergunta mais importante: estamos apenas diante de uma etapa normal do desenvolvimento ou existe alguma dificuldade que merece tratamento?

Na infância, acompanhar a evolução é importante. Mas, quando existem sinais de alerta, identificar cedo costuma ser muito melhor do que simplesmente esperar.

Fonte: Folha Vitória

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