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Rodovias, ferrovia e impostos: os desafios da nova bancada federal do ES

Deputados e senadores eleitos terão pela frente a reforma tributária, a busca por investimentos e a discussão sobre incentivos fiscais para o Espírito Santo

Por Redação em 09/10/2026 às 21:00:14
Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Foto: Lula Marques/Agência Brasil

A nova bancada federal do Espírito Santo terá o desafio de transformar a representação política em resultados sociais e econômicos nos próximos quatro anos. A conclusão de obras rodoviárias e ferroviárias, os efeitos da reforma tributária, a ampliação dos incentivos regionais e a busca por recursos federais estão entre as prioridades apontadas por especialistas para os deputados e senadores eleitos em 2026.

O Espírito Santo elegeu dez deputados federais e dois senadores nas eleições do último domingo (4). Entre os deputados, apenas três conquistaram a reeleição, enquanto sete nomes chegam à Câmara para um primeiro mandato na Câmara. Já no Senado, Renato Casagrande (PSB) e Evair de Melo (Republicanos) assumirão as duas vagas que estavam em disputa e se juntarão a Magno Malta (PL).

A nova composição terá de enfrentar gargalos antigos e já bastante conhecidos dos capixabas, como os das BRs 262 e 259 e da ferrovia EF-118. Além disso, a mudança na cobrança dos impostos sobre o consumo exigirá atenção às condições de competitividade das empresas do Estado.

Outro ponto será a capacidade de articulação de uma bancada relativamente pequena no Congresso, sobretudo para garantir investimentos e ampliar as oportunidades de desenvolvimento econômico no interior do Espírito Santo.

Entre os eleitos para a Câmara estão Lucas Polese (PL), Jack Rocha (PT), Dr. Bruno Resende (União), Gilson Daniel (Podemos), Da Vitória (PP), Marcelo Santos (União), João Coser (PT), Manu (PSB), Coronel Ramalho (Republicanos) e Lucas, o Federal da Direita (PL). A posse dos novos parlamentares ocorrerá em 1º de fevereiro de 2027.

Reforma tributária e infraestrutura

Para o economista Orlando Caliman, a próxima legislatura precisará conciliar as demandas imediatas do Espírito Santo com decisões capazes de influenciar o desenvolvimento econômico brasileiro no longo prazo.

A reforma tributária, por exemplo, exigirá muita atenção da bancada federal. Segundo o economista, ainda falta definir as alíquotas dos novos tributos sobre o consumo, cuja soma poderá chegar a aproximadamente 28%, considerando a cobrança federal, estadual e municipal.

“Além disso, outra questão pendente envolve o imposto seletivo, conhecido como ‘imposto do pecado’, que incidirá sobre produtos como bebidas alcoólicas e cigarros. É preciso uma bancada federal que observe as decisões que serão tomadas sobre esses temas”, afirma, explicando que a reforma tributária prevê uma transição gradual até 2033, quando o novo sistema de tributação sobre o consumo entrará integralmente em vigor.

Caliman também considera necessário que deputados e senadores mantenham uma agenda permanente de desenvolvimento para o Espírito Santo.

“Precisamos de uma bancada que consiga fortalecer as ações necessárias ao desenvolvimento do Espírito Santo, especialmente na infraestrutura. Boa parte dos investimentos nessa área depende da esfera federal, como é o caso dos portos, das ferrovias e, principalmente, das rodovias. Temos decisões importantes pela frente, como a EF-118, que está perto de superar os entraves relacionados ao edital. É preciso tirar esse projeto do papel e avançar também em outras obras de infraestrutura. Essa é uma agenda que precisa do apoio tanto do Senado quanto da Câmara dos Deputados para avançar.”

Dessa forma, o economista amplia a discussão para a necessidade de mudanças estruturais na economia brasileira.

“O país precisa dar rumo a projetos de desenvolvimento de longo prazo. Também é necessária uma reestruturação que leve a mudanças no endividamento público, para não termos problemas mais à frente. Isso precisa ser implementado e exigirá coesão da bancada federal”, acrescenta.

Articulação política e recursos federais

O cientista político João Gualberto avalia que os resultados da atuação parlamentar dependem de instrumentos institucionais e da capacidade de negociação dos representantes capixabas.

“Na prática, a bancada dispõe das emendas parlamentares. Na gestão que está terminando agora e na anterior, nos últimos oito anos, as emendas de bancada e dos deputados permitiram concluir a rodovia do Contorno, por exemplo, além de impactarem diversos outros projetos e obras. A BR-262 passará agora por um grande investimento decorrente do acordo de repactuação do Rio Doce. Tudo isso passa pela bancada, pela articulação com os ministérios e pelas emendas parlamentares, que são ações muito práticas.”

No entanto, Gualberto aponta as dificuldades que o Espírito Santo enfrenta na construção de alianças políticas dentro do Congresso Nacional.

“Além de pequena, nossa bancada não está alinhada a um bloco regional como a do Nordeste, que é pequena por Estado, mas grande quando regionalizada. Somos um Estado pequeno, sem uma articulação regional imediata, cercado por vizinhos grandes, como Minas Gerais e Rio de Janeiro.”

Nesse cenário, o cientista político vê uma oportunidade de ampliar a influência capixaba por meio do Senado, especialmente com a chegada dos dois representantes eleitos.

“Os senadores são três por Estado. E temos dois novos senadores chegando. O ex-governador Renato Casagrande, um homem muito hábil, e o deputado federal Evair de Melo, um quadro muito preparado para as discussões produtivas e econômicas. Então, é no Senado que pode se concentrar a força que temos.”

Competitividade e investimentos

Na avaliação do vice-presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo (Fecomércio-ES), José Carlos Bergamin, a próxima legislatura representa uma oportunidade de fortalecer a presença do Estado nas decisões econômicas nacionais.

“Esperamos que a bancada federal mantenha uma atuação articulada e coesa, colocando os interesses do Espírito Santo acima de preferências políticas ou interesses menores. Como não temos uma bancada numerosa, a união e a capacidade de cada parlamentar colocar sua influência a serviço do Estado são fundamentais para ampliar nossa força em Brasília.”

O dirigente, a exemplo de Gualberto e Caliman, relaciona o desempenho futuro da economia capixaba à capacidade de superar limitações históricas na infraestrutura viária.

“Essa atuação deve priorizar a celeridade dos projetos estratégicos de infraestrutura, especialmente os gargalos das BR-262, BR-259 e EF-118. O Espírito Santo, pela sua posição geográfica e estrutura portuária, consolidou-se como um importante centro nacional de logística e distribuição.”

Bergamin considera que as mudanças no sistema tributário tornarão a eficiência logística ainda mais importante para a permanência e a expansão das empresas no território capixaba.

“Com a redução gradual dos incentivos fiscais, precisamos transformar essa posição estratégica em uma vantagem logística cada vez maior, com rodovias e ferrovias eficientes, menor custo de transporte e melhores conexões com Minas Gerais e o Centro do Brasil. Uma logística competitiva será fundamental para manter empresas aqui, atrair novos investimentos e sustentar o crescimento do Espírito Santo.”

Sudene e desenvolvimento regional

Outra discussão que poderá ganhar espaço na nova legislatura é a ampliação da área de atuação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) para todos os municípios capixabas.

Atualmente, 31 municípios do Espírito Santo integram a área da Sudene, enquanto outros 47 permanecem fora. Um estudo divulgado em março pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) aponta diferenças no acesso a financiamentos e incentivos fiscais entre as duas regiões.

Para Bergamin, a ampliação dos benefícios teria efeitos que ultrapassariam a atividade industrial e alcançariam diferentes setores da economia.

“A ampliação da área da Sudene para todo o Espírito Santo pode ser um importante instrumento de equilíbrio e desenvolvimento regional. Hoje, a diferença de incentivos entre as regiões ajuda a explicar por que o Norte do estado apresenta maior capacidade de atração de investimentos em relação a outras regiões.”

O representante da Fecomércio-ES destaca ainda a relação entre novos empreendimentos, geração de empregos e fortalecimento do mercado consumidor.

“Mais investimentos significam mais empresas, empregos, renda e demanda por comércio, serviços e turismo. A própria implantação de novos negócios movimenta hospedagem, alimentação, transporte, saúde, lazer e uma ampla cadeia de fornecedores.”

Segundo Bergamin, o resultado esperado é um crescimento capaz de alcançar diferentes regiões capixabas.

“É um verdadeiro círculo virtuoso: mais investimentos geram mais emprego e renda, ampliam a atividade econômica e a arrecadação e dão ao estado melhores condições para investir em infraestrutura e serviços públicos. Para a Fecomércio-ES, significa também mais oportunidades para as empresas que representamos e um desenvolvimento mais equilibrado do Espírito Santo, de Norte a Sul.”

Fonte: Folha Vitoria

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