Foto: Thiago Soares/Folha Vitória
Hoje, nas ações de planejar, precisamos estar com os olhos voltados mais para a frente, ou seja, para onde as evidências e tendências detectáveis apontam, do que para o passado, pela trajetória que possa nos indicar por sua força inercial. Isso porque as mudanças ocorrem, e tendem a ocorrer, a velocidades cada vez maiores e com maior potencial transformador.
Mesmo assim, no caso do Espírito Santo, e em se tratando da temática crescimento econômico, o peso da trajetória que nos trouxe até aqui funciona ainda como forte impulsionador do que acontecerá nos próximos anos.
Por um bom tempo pela frente, a base industrial fortemente centrada em commodities sustentará o crescimento.
A boa notícia é que, concomitantemente à permanência desse “driver” estrutural, evidências já delineiam uma tendência de diversificação e maior inserção competitiva da economia estadual. O perfil dos novos investimentos, muitos dos quais já em curso, aponta nessa direção.
Os números mais recentes relativos à economia estadual já nos possibilitam avaliar que esta, gradualmente, vem ganhando tração, depois de um longo período de baixa. Em termos reais, o patamar do PIB de 2015 somente é novamente alcançado em 2024.
Nesse intervalo de tempo, a economia capixaba passou pela sua maior baixa cíclica, muito provavelmente uma das maiores de sua história.
Da crise entre 2015 e 2017 à pandemia, em 2020, o PIB a preços constantes, ou seja, em termos reais, sofreu forte retração. Nesse mesmo período, o PIB nacional também caiu, porém em menor intensidade.
Mesmo assim, numa trajetória mais longa, de 1970 a 2025, a economia capixaba cresceu, em média, 4,52% ao ano, contra 3,29% da nacional. Mas foi entre 1970 e 1994 que tivemos um crescimento que nos faz lembrar da China: 7,2% ao ano.
A partir de 2023, observamos um comportamento mais consistente de crescimento, combinando melhora das commodities e da economia interna.
Do primeiro trimestre de 2025 ao segundo trimestre de 2026, as taxas que expressam a variação acumulada em quatro trimestres apresentam um padrão consistente de crescimento: de 2% no primeiro trimestre de 2025 para 4,8% no segundo trimestre de 2026.
Tudo bem que ainda contamos fortemente com as commodities, especialmente as extrativas minerais. Mas mesmo estas parecem retomar com maior tração e com maior integração à economia interna pela via de suas cadeias de suprimento. É através dessas cadeias que, em grande medida, são acionados, por exemplo, serviços especializados.
Essa melhora mais consistente da economia capixaba é refletida de forma mais visível no setor da construção.
Novos lançamentos, em unidades, cresceram cerca de 63% entre 2023 e 2025, contra 40% no país. O preço por metro quadrado na cidade de Vitória passou de R$ 10.877,00, em 2023, para R$ 14.108,00 em 2025.
Por outro lado, essa boa performance do setor imobiliário tem acionado o setor varejista ampliado. Somente neste ano, até julho, as vendas de materiais de construção apresentaram forte crescimento.
Tudo indica que a economia capixaba fechará o ano apresentando bons números, mesmo contando com os reflexos da desaceleração que já se observa na economia nacional.
Olhando para 2027, acreditamos que os elementos que compõem e sustentam esse tracionamento continuarão presentes.
E farão parte dessa sustentação as commodities, com a força do legado, mas um legado que vem somando inovação e maior integração; e a nova frente de diversificação, que virá com maior conteúdo tecnológico e acesso a mercados
Fonte: Folha Vitoria