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Sandro Locutor abre o coração no Sala de Decisão: da roça de Novo Brasil à presidência nacional dos deputados e o sonho de voltar a assembleia

Ex-deputado estadual revela a morte da mãe oito dias depois

Por Redação em 30/09/2026 às 13:00:49
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Ex-deputado estadual revela a morte da mãe oito dias depois de vencer a primeira eleição, a internação na UTI no meio da campanha para prefeito e o apelo à população: "não deixe que os outros decidam por você" Ele aprendeu a amar a comunicação ouvindo o radinho do tio narrar gols do Flamengo e imitando locutores na frente do espelho, sem saber que “plágio era crime”. Hoje, o apelido virou marca registrada: Sandro Locutor foi vereador, deputado estadual, presidente nacional dos 1.059 deputados estaduais do Brasil e agora disputa uma vaga na Câmara Federal. No episódio 010 do Sala de Decisão, ele conta tudo, inclusive as histórias que nunca tinha revelado em entrevista.

Criado pela avó Jesuína e pelo tio Antônio no distrito de Novo Brasil, em Governador Lindenberg, Sandro cresceu numa família humilde: a mãe era doméstica, o pai carregava lata de água na cabeça no Morro do Quadro e depois virou procurador de justiça do estado. Ele caminhava 6 km a pé para chegar à escola e, no caminho, foi atropelado por uma C10 enquanto jogava bola. Sobreviveu, se escondeu no banheiro da escola e ganhou o apelido de “C10”, que o acompanhou por anos. As histórias do interior marcam o episódio: a sanfona Todeschini herdada do tio, as surras de fio e de vara de mixirica, e as noites de forró da roça com triângulo, pandeiro e colheres.

O nome “Sandro Locutor” nasceu numa sonorização de festa de comunidade, aos 16 anos, quando Seu Gelson Souza o convidou: “Você não quer ir nas festas comigo?” Depois vieram a rádio, a televisão e o padrinho inesquecível: o saudoso Antário Filho, que o lançou nos palcos. No programa, Sandro narra de memória o gol de barriga do Renato Gaúcho, de 1995 e confessa o sofrimento flamenguista até hoje.

A política começou na periferia. Morador do Castelo Branco, Sandro viu o bairro ser chamado de “baixada fluminense capixaba” pelo índice de violência. A resposta veio pela organização comunitária: criou a associação comercial e, com os comerciantes, construiu um destacamento policial militar em 30 dias, quando o prazo dado era de 90. Hoje, aquele DPM é a sede da companhia da PM que comanda o policiamento de Jardim América até as divisas com Vila Velha e Viana. “Os comerciantes falaram: Sandro, você tem uma articulação boa, represente a gente. Fui empurrado para a política”, resume. Perdeu a primeira eleição em 2000 com 1.091 votos; venceu em 2004 com 2.753.

O momento mais comovente do episódio vem em seguida: oito dias depois de vencer a eleição para vereador, Sandro perdeu a mãe na véspera da festa das crianças que ela tanto queria ver acontecer. Emocionado, com a voz embargada, ele revela que realiza a festa das mães e das crianças em Castelo Branco há 28 anos, em homenagem àquela que “o entregou para a população com uma responsabilidade”.

Eleito deputado estadual em 2010 desempregado, com 17.546 votos, e reeleito em 2014 com 17.191, Sandro chegou à presidência nacional da UNALE, a entidade que representa todas as 27 assembleias legislativas do país, com apenas 3 anos de filiação. A trajetória o levou a ser observador internacional de eleição no Peru, a ser recebido como chefe de estado na China, a presidir um seminário de direitos humanos em Milão, com 38 países representados sem falar uma palavra de inglês e a representar o Brasil no Parlamento Europeu, em Bruxelas.

Candidato a deputado federal, Sandro faz as críticas mais duras do episódio à saidinha de presos: “É a pior coisa que tem no Brasil hoje. O preso tem auxílio-reclusão, e a família da vítima fica sem nada. Temos que defender o direito da vítima.” Ele também defende que o Bolsa Família venha acompanhado de qualificação: “Você tem três anos para fazer cursos técnicos pelo sistema S. Tem vaga de emprego sobrando e falta mão de obra qualificada.” Como secretário de desenvolvimento econômico de Cariacica, ele criou o Cariacica Capacita, levando unidades móveis de cursos às comunidades. E cita a força econômica da cidade: quinta maior em importação do país, com portos secos e os maiores centros logísticos do estado, defendendo a reativação das Cinco Pontes e do modal aquaviário para desafogar a Grande Vitória.

Na Assembleia, seus legados ficaram marcados na segurança pública (emendas que incluíram as três regiões mais violentas de Cariacica no programa Estado Presente), no esporte (lei de incentivo ao esporte e apoio a 23 projetos sociais) e na agricultura, ele que já plantou arroz “com barro na cintura” e colheu café conilon no morro.

Um dos momentos mais curiosos: Sandro disputou a Prefeitura de Cariacica em 2020 contra o próprio Euclério Sampaio e liderava as pesquisas mesmo sem recursos, quando contraiu Covid grave e passou 32 dias parado, 12 deles na UDI, antes de ir para a UTI do Hospital Meridional. Derrotado, apoiou o rival no segundo turno. Hoje são amigos declarados: “Ele é Gardenal e eu sou Rivotril. Ele é de papo reto. Não é à toa que transformou a cidade.”

Na despedida, Sandro deixa o recado que resume o episódio: “Nesse dia da eleição, o pobre, o rico, o preto, o branco, todos têm o mesmo poder. Exerça o seu poder. Escolha gente de bem, do eixo central até aqui onde a gente mora.” E encerra elogiando o trabalho do apresentador Giulliano Cavati: “É maravilhoso um bate-papo de qualidade. Informar a população é muito importante.”

O episódio completo está disponível no YouTube.

Fonte: Portal Jornal do ES

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