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No dia 23 de setembro é celebrado o Dia Nacional de Conscientização sobre a Dermatite Atópica, uma data criada para combater o preconceito e dar visibilidade a essa condição inflamatória crônica, de origem genética e imunológica, que afeta profundamente a qualidade de vida de quem convive com ela e de toda a família ao redor.
A dermatite atópica é um dos tipos mais comuns de eczema, principalmente na infância, embora possa se manifestar também na vida adulta. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SDB), a doença se caracteriza por pele seca com coceira constante, que leva a ferimentos pelo ato de coçar, e esses ferimentos facilitam infecções bacterianas, virais e fúngicas. É comum em famílias que também apresentam asma, rinite ou conjuntivite. Vale lembrar que não é contagiosa.
A pele como reflexo do todo
Essa é uma premissa que guia toda a minha prática como dermatologista: nenhuma doença é isolada de um órgão. E a dermatite atópica é um dos exemplos mais claros disso. Ela se manifesta na pele, mas o que a desencadeia, o que a piora e o que a controla está muito além dela.
O estilo de vida, o ambiente onde a pessoa vive, o que ela come, como ela dorme, o nível de estresse que carrega, tudo isso aparece na pele de quem tem dermatite atópica.
Por isso, o portador dessa doença precisa ser olhado de forma integral, não apenas como alguém com uma condição dermatológica. É uma pessoa que merece um time ao redor, cada um com seu papel, todos olhando para o mesmo indivíduo. Esse olhar multidisciplinar é uma necessidade. A dermatite atópica afeta o sono, a autoestima, os relacionamentos, a rotina.
O sintoma mais impactante da dermatite atópica é o prurido intenso, da coceira que não passa. Ela dificulta o sono, gera ansiedade, e esse trio de prurido, insônia e ansiedade acaba afetando não só o portador da doença, mas toda a família. Por isso, o manejo precisa incluir também suporte à saúde mental.
A conscientização sobre os fatores que desencadeiam as crises é o primeiro passo no controle da doença. Os gatilhos podem incluir ar seco, variações bruscas de temperatura, suor excessivo, odores fortes como tinta, verniz, fumaça, inseticida e mofo, roupas de lã ou tecidos sintéticos, sabonetes em excesso e situações de estresse.
A relação com animais domésticos também merece atenção. Gatos e cães podem abrigar ácaros, parasitas e bactérias que desencadeiam crises atópicas. Se a família perceber que o contato com o animal piora a condição do portador da doença, é fundamental buscar orientação médica.
Quanto à alimentação, a relação com a dermatite atópica não está totalmente estabelecida. Dificilmente um único alimento será responsável por todas as crises. O que vale é observar, se o paciente consome determinado alimento e apresenta crise, faz sentido investigar.
A rotina de cuidados que faz diferença
O controle diário da dermatite atópica começa pela hidratação. A pele atópica tem tendência intensa ao ressecamento, e manter a barreira cutânea hidratada é a base de todo o tratamento. O hidratante deve ser aplicado várias vezes ao dia, especialmente logo após o banho, com a pele ainda levemente úmida.
No banho, a temperatura deve ser morna, nunca quente, e o tempo deve ser curto. Sabonetes suaves que respeitam o pH da pele e óleos de limpeza gentil devem substituir os produtos convencionais, especialmente nas áreas de extensão dos braços, antebraços e pernas, mais vulneráveis ao ressecamento.
Toalhas macias e roupas leves de algodão são aliadas importantes, tecidos ásperos e sintéticos irritam a pele e podem desencadear crises.
Tratamento e acompanhamento médico
O tratamento varia conforme a gravidade do quadro e a fase da doença. Pode incluir cremes e pomadas com corticosteróides, imunomoduladores tópicos, anti-histamínicos para o controle da coceira, fototerapia e, nos casos mais graves, medicamentos biológicos como o dupilumabe, uma das maiores conquistas recentes da dermatologia para essa condição, com resultados expressivos em pacientes que não respondiam às abordagens tradicionais.
O acompanhamento médico regular é insubstituível. A dermatite atópica não tem cura, mas tem controle. E quanto mais bem informado for o paciente e sua família sobre a doença, seus gatilhos e suas possibilidades de tratamento, melhor a qualidade de vida ao longo do tempo.
Fonte: Folha Vitória